Os cinco deputados mais votados de 2022 tiveram trajetórias marcadas por forte exposição política, mas com baixa efetividade legislativa. Dois perderam o mandato, enquanto os demais acumularam polêmicas e atuação concentrada fora do plenário.
Quase quatro anos após as eleições de 2022, os cinco deputados federais mais votados do país apresentam trajetórias marcadas por controvérsias, baixa produção legislativa e, em dois casos, perda de mandato. Integram a lista Nikolas Ferreira, Guilherme Boulos, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles, que juntos somaram milhões de votos e protagonizaram diferentes caminhos políticos desde então. As informações são do g1.

Em números absolutos, Nikolas Ferreira liderou a votação nacional com 1.492.047 votos em Minas Gerais. Na sequência, Guilherme Boulos recebeu 1.001.472 votos em São Paulo, seguido por Carla Zambelli (946.244), Eduardo Bolsonaro (741.701) e Ricardo Salles (640.918), todos eleitos pelo estado paulista.
Redes sociais, embates e protagonismo político
O mandato de Nikolas Ferreira ficou marcado por forte atuação nas redes sociais e discursos voltados à polarização política. No Congresso, teve participação mais limitada na relatoria de projetos — foram apenas dois em seu primeiro ano — e não conseguiu avançar com propostas relevantes no plenário. Entre os episódios mais repercutidos está a fala considerada transfóbica direcionada às deputadas Erika Hilton e Duda Salabert, quando utilizou uma peruca no plenário no Dia da Mulher.
Apesar disso, o parlamentar teve impacto fora da Câmara. Em 2025, ganhou destaque ao impulsionar críticas a uma portaria do governo federal sobre fiscalização financeira, levantando debate sobre uma possível taxação do Pix — o que contribuiu para o recuo da medida.
Guilherme Boulos, por outro lado, teve atuação mais discreta dentro da Câmara dos Deputados. Embora tenha sido líder da federação PSOL/Rede e integrante de comissões importantes, sua presença no plenário foi considerada limitada. Ainda assim, relatou cinco projetos que se tornaram lei, incluindo uma proposta do governo que fortalece a compra de alimentos da agricultura familiar.
Boulos também ganhou visibilidade ao relatar a absolvição do deputado André Janones no Conselho de Ética, decisão que gerou críticas da oposição. Posteriormente, ampliou seu protagonismo ao participar do governo federal e liderar discussões sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos, propondo alternativas ao texto debatido na Câmara.
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Processos, condenações e perda de mandato
Os casos mais emblemáticos envolvem Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, que acabaram perdendo seus mandatos. Zambelli teve atuação limitada no Legislativo e ficou marcada por problemas judiciais. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça e por perseguir um eleitor armada na véspera das eleições de 2022.
Após a condenação, deixou o Brasil, passou pelos Estados Unidos e Itália, onde foi presa. A Justiça italiana autorizou sua extradição. Antes de renunciar ao mandato, em dezembro de 2025, havia relatado apenas dois projetos e ocupado cargos em comissões como Educação e Relações Exteriores.
Eduardo Bolsonaro também teve trajetória marcada por articulações políticas e ausência do país. O deputado atuou em comissões estratégicas, como Constituição e Justiça e Relações Exteriores, chegando a presidir esta última. No entanto, em 2025, mudou-se para os Estados Unidos em meio a tentativas de articulação internacional.
Sua ausência levou à perda do mandato em dezembro daquele ano, após ultrapassar o limite de faltas permitido. Apesar de ter apresentado 502 propostas, nenhuma foi aprovada com sua autoria principal. Tentativas de mantê-lo em cargos de liderança para evitar a cassação foram barradas pelo então presidente da Câmara.
CPI, troca de partido e produção legislativa
Já Ricardo Salles teve atuação mais visível em comissões e investigações, especialmente como relator da CPI do MST. Sua participação foi marcada por embates intensos e pela proposta de indiciamento de diversas pessoas ligadas a movimentos sociais e ao governo.
Durante o mandato, Salles também protagonizou uma mudança partidária: deixou o PL e migrou para o Novo após divergências internas e planos frustrados de disputar a prefeitura de São Paulo. Ao longo dos quatro anos, apresentou 559 projetos, mas apenas um foi aprovado sem sua autoria principal. Como relator, conseguiu aprovar três propostas, incluindo um projeto que restringe benefícios a ocupantes de terra, atualmente em análise no Senado.
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