A seis meses das eleições, Lula enfrenta queda na popularidade, pressão econômica e dificuldades no Congresso. O governo tenta acelerar projetos estratégicos e lançar medidas para melhorar a percepção da economia e recuperar apoio popular.
A cerca de seis meses das eleições de 2026, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário de pressão política e econômica.
No Palácio do Planalto, há preocupação com a queda na aprovação do governo e com a necessidade de avançar pautas consideradas estratégicas para sustentar o projeto de reeleição.

Presidente faz acusação contra lobby (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Entre os principais desafios estão a percepção negativa da economia por parte da população e o aumento do endividamento das famílias. Ao mesmo tempo, o governo tenta acelerar a tramitação de propostas no Congresso, como o fim da jornada de trabalho 6×1, a regulamentação do trabalho por aplicativos e uma PEC voltada à segurança pública.
Projetos prioritários enfrentam resistência no Congresso
O principal projeto defendido pelo governo é o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. A proposta tem gerado atrito com o presidente da Câmara, Hugo Motta, que defende a tramitação via Proposta de Emenda à Constituição (PEC), enquanto o Executivo pretende enviar um projeto de lei com urgência constitucional, prevendo prazo de 45 dias para análise em cada Casa.
Outra pauta relevante é a PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo em 2025 e já aprovada na Câmara, mas que ainda precisa passar por dois turnos de votação no Senado. Também está no radar a regulamentação do trabalho por aplicativos, tema que envolve empresas como Uber, 99 e iFood e que o governo tenta aprovar ainda no primeiro semestre.
Nesse ponto, há divergência sobre o valor mínimo a ser pago aos trabalhadores. O governo defende R$ 10 por entrega, enquanto o relator, deputado Augusto Coutinho, propõe R$ 8,50. Segundo o ministro Guilherme Boulos, o Executivo pode tentar incluir o valor por meio de emenda caso não haja acordo.
Queda na aprovação e alerta no Planalto
Pesquisas recentes acenderam o alerta no governo. Levantamento Atlas/Bloomberg aponta que a aprovação caiu para 45,9%, enquanto a desaprovação subiu para 53,5%. A diferença entre os índices aumentou nos últimos meses, indicando tendência de desgaste.
O cenário é ainda mais preocupante em faixas etárias específicas. Entre jovens de 16 a 24 anos, a rejeição saltou de 58,6% para 72,7%. Já entre eleitores com 60 anos ou mais, subiu de 39,2% para 50,8%. Integrantes do governo associam parte desse movimento à alta dos combustíveis, influenciada por tensões internacionais, especialmente no Oriente Médio.
Para conter os impactos, o Executivo lançou, no início da semana, mais um pacote de medidas voltado à redução dos preços do diesel, das passagens aéreas e do gás de cozinha para a população de baixa renda.
Endividamento recorde pressiona governo
Outro fator de preocupação é o nível de endividamento das famílias brasileiras. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o índice chegou a 80,2% em fevereiro, o maior da série histórica. A inadimplência também voltou a subir, atingindo 29,6%.
Além disso, cresceu a percepção de piora da economia. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 48% dos entrevistados avaliam que a situação econômica se deteriorou, maior nível desde setembro. As expectativas para os próximos meses também pioraram, com aumento no número de pessoas que acreditam em cenário negativo.
Diante desse quadro, Lula tem cobrado soluções da equipe econômica e apontado uma “contradição” entre o baixo desemprego, o aumento da renda e a alta inadimplência. O presidente também citou o uso do crédito em pequenas compras via cartão e Pix como fator que contribui para o endividamento.
Juros e medidas econômicas no centro do debate
A política monetária também é alvo de críticas do governo. A taxa básica de juros, definida pelo Banco Central do Brasil, está em 14,75% ao ano. Apesar de um leve recuo recente, o Planalto avalia que os juros seguem elevados e impactam negativamente o consumo e a economia.
Para tentar reverter o cenário, o governo aposta em um pacote de medidas econômicas, incluindo subsídios para combustíveis, programas de renegociação de dívidas e a revisão de tributos, como a chamada “taxa das blusinhas”.
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