O governo Lula avalia expulsar agentes dos EUA no Brasil como resposta ao pedido de saída do delegado da PF, Marcelo Ivo, do território americano. Ivo monitorou Alexandre Ramagem antes de sua prisão. Segundo a CNN, o Brasil deve aplicar o princípio da reciprocidade caso Washington não apresente explicações formais sobre as acusações de “perseguição política”.
O governo brasileiro estuda seriamente uma medida de retaliação contra os Estados Unidos que pode abalar as relações diplomáticas entre os dois países. Segundo informações da CNN, o Palácio do Planalto considera a possibilidade de expulsar agentes norte-americanos que atuam no Brasil. A movimentação é uma resposta direta ao pedido de Washington para que o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo, deixe o território americano.
O delegado Ivo foi o responsável pelo monitoramento que culminou na prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, nos Estados Unidos. A crise escalou após o governo dos EUA publicar em redes sociais que não aceitaria estrangeiros manipulando seu sistema de imigração para “perseguições políticas”, sem, no entanto, enviar uma explicação formal via canais diplomáticos ao Brasil.

Alexandre Ramagem e Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução/Redes Sociais
O rompimento da cooperação policial
O incidente pegou o governo brasileiro de surpresa, uma vez que delegados da PF e agentes americanos trabalham em regime de cooperação mútua, amparados por um memorando de entendimento renovado em 2025. De acordo com fontes ouvidas pela CNN, a diplomacia brasileira solicitou esclarecimentos formais, mas a falta de detalhes específicos por parte de Washington está empurrando o Brasil para uma reação mais incisiva.
A reação de Lula: “Não tem conversa”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já deu o tom da resposta nesta terça-feira (21), antes de deixar a Alemanha. Em declaração contundente, Lula afirmou que o país não aceitará abusos.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, disparou o presidente, sinalizando que a expulsão de agentes dos EUA é uma tendência real.
O princípio da reciprocidade em jogo
O centro do impasse reside no princípio da reciprocidade, pilar das relações internacionais que prevê tratamento equivalente entre nações. Caso os Estados Unidos não revertam a decisão ou não apresentem provas de que o delegado brasileiro agiu fora de suas atribuições legais, o governo Lula deve determinar a saída imediata de funcionários americanos que prestam serviço em solo brasileiro.
Fontes diplomáticas afirmaram ao canal que a mensagem publicada pelo Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA foi considerada “agressiva” e “incomum”, especialmente por acusar o delegado de tentar contornar pedidos de extradição. Para o governo brasileiro, a ausência de uma nota formal de explicação até o momento reforça a tese de que o Brasil precisa aplicar o mesmo peso na balança diplomática.
Análise de cenário e próximos passos
Especialistas em política externa avaliam que a situação é delicada, pois envolve a cooperação em segurança nacional e o monitoramento de figuras políticas investigadas. A defesa de Alexandre Ramagem tem usado o episódio para alegar perseguição, enquanto o governo federal defende a legalidade das ações da Polícia Federal no exterior. O clima de tensão agora depende da resposta oficial que virá do Departamento de Estado americano.
Internamente, o Itamaraty trabalha com cautela, mas a pressão política por uma resposta “à altura” é grande. A expulsão de agentes americanos seria uma medida drástica, não vista há anos na relação bilateral entre as duas potências.
A situação atual é de aguardo. O governo brasileiro espera que os Estados Unidos prestem os esclarecimentos detalhados solicitados pelo Itamaraty. Caso Washington mantenha a postura de silêncio formal, a aplicação da reciprocidade deixará de ser uma ameaça para se tornar realidade. O desfecho dessa queda de braço diplomática definirá os rumos da cooperação policial entre os dois países para o restante do ano de 2026.
Leia mais no Bacci Notícias
