Mais de 260 mil contribuintes já foram retidos na malha fina do Imposto de Renda devido a inconsistências nas informações declaradas, segundo dados recentes. Os principais problemas estão ligados a divergências entre os dados informados por empresas e aqueles inseridos pelos contribuintes na declaração.

Receita Federal (Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil)
Receita Federal (Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil)

Em pouco mais de um mês desde a abertura do prazo para a declaração do Imposto de Renda, aproximadamente 260 mil contribuintes já foram retidos na malha fina da Receita Federal devido a inconsistências nas informações declaradas.

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Receita Federal (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)

Segundo especialistas, o principal motivo para o aumento das divergências está relacionado a uma mudança no sistema de envio de dados adotado pela Receita neste ano. O órgão passou a exigir informações mais detalhadas e com atualização mensal sobre rendimentos e valores de impostos retidos na fonte dos trabalhadores.

Com a nova exigência, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades de adaptação ao modelo, o que resultou no envio de dados incorretos ou incompletos. Essas falhas acabam gerando divergências entre as informações prestadas pelos empregadores e aquelas declaradas pelos contribuintes, levando à retenção na malha fina.

Mais de 1 milhão de declarações retidas

Segundo dados da Receita Federal, até o momento 1,05 milhão de declarações do Imposto de Renda foram retidas na malha fina. Desse total, cerca de 257 mil casos estão diretamente relacionados à mudança no modelo de envio de informações adotado pelo órgão.

O Fisco também informou que a taxa de retenção registrada neste ano chegou a 6,96%. No mesmo período do ano anterior, o índice era de 5,22%, o que representa um aumento de aproximadamente 1,7 ponto percentual.

Em nota, ao Metrópoles a Receita Federal classificou o cenário como um aumento pontual, explicando que esse tipo de divergência é comum durante processos de transição entre sistemas. O órgão destacou ainda que as empresas vêm se adequando gradualmente à nova metodologia e realizando retificações constantes para corrigir as informações enviadas.

“É importante esclarecer que a malha fiscal não é punição, mas uma etapa normal de conferência. Todos os anos, milhões de declarações passam por esse processo, especialmente no início da campanha, quando informações ainda estão sendo ajustadas, confirmadas ou retificadas por contribuintes e fontes pagadoras. Historicamente, cerca de 80% das declarações retidas inicialmente são liberadas automaticamente até o final do ano, após a correção das informações”, afirma a Receita.

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Veja como conferir os dados

Para evitar inconsistências na declaração do Imposto de Renda, especialistas orientam que o contribuinte confira se os dados do informe de rendimentos estão alinhados com as informações da declaração pré-preenchida pela Receita Federal. Em caso de divergências, o recomendado é buscar esclarecimentos diretamente junto à empresa empregadora.

Quando a retenção na malha fina ocorre por falhas ou diferenças nas informações fornecidas pela fonte pagadora, o próprio trabalhador deve acionar a empresa responsável para que as correções sejam feitas.

Após a regularização dos dados, a Receita realiza o reprocessamento automático da declaração, sem necessidade de novas ações por parte do contribuinte, podendo a liberação ocorrer em cerca de uma semana.

Caso seja emitido um novo informe de rendimentos com informações atualizadas, o contribuinte precisa enviar uma declaração retificadora para ajustar os dados já enviados ao Fisco.

Prazo para o envio do IR

O prazo para envio da declaração do Imposto de Renda de 2026 segue aberto até o dia 29 de maio. De acordo com a Receita Federal, até esta quinta-feira (23/4), mais de 15 milhões de declarações já haviam sido transmitidas.

A expectativa do órgão é de que o total alcance cerca de 44 milhões de envios até o encerramento do período de entrega, no fim de maio.

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