O governo federal desistiu do plano de usar o FGTS para quitar dívidas após identificar entraves jurídicos. A estratégia agora é lançar uma nova fase do programa Desenrola para refinanciar débitos e aliviar o orçamento das famílias. A medida é tratada como prioridade eleitoral para o presidente Lula no primeiro semestre de 2026.

Foto: Divulgação.
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Após semanas de intensas discussões nos bastidores de Brasília, o governo federal decidiu abandonar a proposta de utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como ferramenta para o abatimento de dívidas da população. A equipe econômica, liderada pelo Ministério da Fazenda, identificou barreiras jurídicas intransponíveis que inviabilizaram a quitação ou redução de débitos por meio do fundo.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

Com o engavetamento da medida, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva redireciona seus esforços para uma nova e robusta fase do programa Desenrola. A decisão está em estágio final de elaboração técnica e deve ser sacramentada na próxima segunda-feira (27), durante uma reunião estratégica entre o ministro da Fazenda em exercício, Dario Duringan, e a cúpula dos principais bancos brasileiros em São Paulo.

Aposta no Desenrola contra o Endividamento das Famílias

A nova etapa do programa de renegociação é vista como a “tábua de salvação” para milhões de brasileiros. O Desenrola, que foi um dos principais trunfos de campanha de Lula em 2022, reassume o protagonismo na agenda econômica. O objetivo é oferecer condições agressivas de refinanciamento para garantir que o orçamento das famílias volte a fechar no fim do mês.

O Palácio do Planalto definiu o socorro aos endividados como a prioridade número um para o primeiro semestre de 2026. A ordem direta do presidente ao ministro da Fazenda foi para que se busquem alternativas imediatas que impeçam o colapso financeiro das classes mais baixas, substituindo a expectativa gerada em torno do FGTS por um mecanismo de mercado mais ágil.

O componente eleitoral e a luta contra a inflação

Em um momento de oscilação nos índices de aprovação, Lula busca medidas de impacto direto no bolso do eleitor. Segundo informações do blog do jornalista Valdo Cruz, bastidores revelam que o Planalto entende que o alto endividamento é um dos principais combustíveis para a insatisfação popular, e o refinanciamento em massa surge como uma estratégia para recuperar terreno nas pesquisas.

Além do alívio nas dívidas, há uma preocupação com o cenário inflacionário durante o período de campanha. O governo federal quer blindar o consumo interno e evitar que a percepção de carestia domine o debate público. O refinanciamento das dívidas é tratado como uma vacina contra o pessimismo econômico, focando na recuperação do poder de compra dos brasileiros.

Lula bets (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Desenrola

O “Novo Desenrola” deve vir com regras mais amplas, tentando atingir uma fatia da população que ainda não havia sido contemplada nas fases anteriores do programa.

No momento, a área técnica corre contra o tempo para alinhar os últimos detalhes antes do encontro com as instituições financeiras. A expectativa é que, após a reunião de segunda-feira, o governo anuncie o calendário e as novas regras do programa.

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