O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Fernando Mosna, solicitou a abertura de uma apuração para investigar a postura da Enel São Paulo após a empresa se recusar a fornecer informações sobre seu desempenho durante um apagão que afetou centenas de milhares de consumidores.
A atuação da concessionária de energia Enel São Paulo entrou no radar da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) após um episódio que deixou cerca de 900 mil imóveis sem fornecimento na região metropolitana paulista, em setembro de 2025. O diretor da agência, Fernando Mosna, solicitou a abertura de uma apuração para analisar a conduta da empresa diante da crise.

Processo avalia se empresa tem condições de manter contrato na capital paulista (Foto: Reprodução)
De acordo com Mosna, a distribuidora se recusou a fornecer dados sobre seu desempenho operacional no período crítico. A negativa, segundo ele, foi justificada pela alegação de que um diretor da Aneel não teria atribuição para requisitar esse tipo de informação diretamente, cabendo essa iniciativa à área técnica do órgão ou ao relator responsável por eventual processo.
O posicionamento da concessionária acendeu um alerta dentro da agência reguladora, que agora avalia se houve descumprimento de obrigações regulatórias e falhas na transparência por parte da empresa. O caso ocorre em meio a cobranças por melhorias na qualidade do serviço prestado e maior agilidade no restabelecimento de energia em situações de grande impacto para a população.
Diretor critica postura da Enel
Em documento oficial, o diretor da Aneel, Fernando Mosna, criticou a postura adotada pela Enel São Paulo ao não atender ao pedido de informações sobre o desempenho do serviço durante o apagão registrado em setembro de 2025.
“Para além de simplesmente apresentar sua posição jurídica, a concessionária adotou postura de recusa expressa ao atendimento da solicitação formulada, deixando de fornecer os elementos requisitados e de colaborar com a apuração dos fatos relacionados ao evento climático e à prestação do serviço”, disse.
Mosna também aponta que a atitude da concessionária vai além de uma simples divergência de interpretação sobre competências dentro da agência reguladora.
“Avalio que a negativa da distribuidora em prestar as informações solicitadas, ultrapassa, assim, o âmbito de mera controvérsia interpretativa e alcança conduta que merece exame quanto à sua aderência aos deveres regulatórios e contratuais impostos à concessionária”, completa.
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Relembre o apagão
Moradores de diferentes bairros da capital paulista e da região do ABC enfrentaram interrupções no fornecimento de energia elétrica na manhã de setemro de 2025. As ocorrências foram mais intensas em cidades como São Bernardo do Campo, Santo André e Diadema, onde o serviço apresentou instabilidade significativa.
Em São Bernardo do Campo, a situação foi a mais crítica, com cerca de 74% dos clientes da Enel afetados, o que representa aproximadamente 271 mil unidades consumidoras sem energia. Já em Santo André, quase um terço dos imóveis registrava falta de luz, enquanto em Diadema o problema atingia cerca de 14% das residências e estabelecimentos até por volta das 11h45.
A falha no abastecimento gerou transtornos para moradores e comerciantes, impactando atividades do dia a dia e levantando novamente questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado na região.

Apagão em SP: até quando vai contrato do Estado com a Enel? (Foto: Reprodução/Agência Brasil)
Cerca de 900 mil clientes são afetados
Na capital paulista, regiões como Jabaquara, Vila Mariana e Ipiranga estiveram entre as mais prejudicadas pelas falhas no fornecimento de energia. Na Vila Mariana, moradores relataram oscilações constantes, com quedas e retornos sucessivos de luz em vias como José Antonio Coelho e Domingos de Moraes.
Também foram registradas ocorrências na Alameda Franca, no trecho entre as ruas Augusta e Padre João Manuel. Já nas áreas da Saúde e do Ipiranga, houve interrupções completas no serviço durante o período da manhã.
De acordo com a Enel Distribuição São Paulo, a instabilidade teve origem em um desligamento ocorrido em uma subestação operada pela Isa Energia Brasil, por volta das 10h50. O incidente impactou aproximadamente 900 mil clientes da concessionária.
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