As jovens desapareceram após aceitarem um convite para uma suposta festa no interior do Paraná. Segundo as investigações, elas saíram de Cianorte acompanhadas de Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, que se apresentava pelo nome falso de “Davi” e dirigia uma caminhonete clonada. Câmeras de segurança registraram o grupo passando por cidades da região antes do sumiço.

Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida (Foto: Reprodução)
Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida (Foto: Reprodução)

O desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida completa quase duas semanas e segue mobilizando as forças de segurança do Paraná.

As jovens foram vistas pela última vez após saírem de Cianorte, no Noroeste do estado, acompanhadas de Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, apontado como principal suspeito do caso e atualmente foragido.

Veja mais sobre polícia

Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida

De acordo com as investigações, o homem teria convidado as primas para uma suposta festa e deixou a cidade com elas em uma caminhonete preta. Durante o avanço das apurações, a polícia descobriu que Clayton utilizava uma identidade falsa e já era procurado anteriormente por envolvimento em um crime de roubo.

A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito na última quarta-feira (29), intensificando as buscas realizadas pelas equipes policiais. Conforme o delegado Luis Fernando Alves Silva, a principal linha investigativa trabalha com a hipótese de duplo homicídio, embora os crimes de sequestro e cárcere privado também estejam sendo analisados pelas autoridades.

O caso segue sob sigilo, e a Polícia Civil do Paraná informou na última segunda-feira (4) que não há novas atualizações sobre as investigações até o momento. Enquanto isso, familiares das jovens continuam à espera de respostas sobre o paradeiro das primas desaparecidas.

Jovens desapareceram após convite

Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas com 18 anos, desapareceram na madrugada do dia 21 de abril e seguem sendo procuradas pelas autoridades do Paraná. O caso é investigado pela Polícia Civil, que tenta esclarecer o paradeiro das jovens desde que elas deixaram a cidade de Cianorte, no Noroeste do estado.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, uma amiga das primas relatou em depoimento que, na noite anterior ao desaparecimento, as duas receberam um convite de Clayton Antonio da Silva Cruz para participarem de uma festa em Porto Rico. A testemunha contou que optou por não acompanhar o grupo, mas Letycia e Sttela decidiram aceitar o convite.

As jovens saíram de Cianorte em uma caminhonete preta conduzida pelo suspeito. Imagens de câmeras de segurança registraram o veículo chegando pouco depois à cidade de Jussara, onde Sttela morava com a mãe. Segundo a polícia, ela passou rapidamente pela residência para pegar uma mochila antes de seguir viagem novamente ao lado da prima e de Clayton.

Ainda conforme as investigações, apenas Letycia já conhecia o suspeito e teria se encontrado com ele em outras ocasiões. O último sinal das jovens ocorreu na própria madrugada do desaparecimento, quando Sttela publicou uma postagem em uma rede social. Apesar disso, o sumiço só foi comunicado oficialmente às autoridades dois dias depois, na quinta-feira (23).

Leia também:

Polícia reconstrói últimos passos das primas

A investigação sobre o desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida avançou após a polícia ouvir testemunhas, familiares e amigos das jovens, além de analisar imagens de câmeras de segurança e dados obtidos durante a apuração. Com isso, os investigadores conseguiram reconstruir os últimos passos do trio antes do sumiço das duas jovens no Paraná.

Cronologia

  • 22h39 de 20 de abril: Segundo a Polícia Civil, as primas deixaram a cidade de Cianorte em uma caminhonete conduzida por Clayton Antonio da Silva Cruz, homem que Letycia conhecia pelo nome de “Davi”;
  • 22h54: Cerca de 15 minutos depois, câmeras de monitoramento registraram a chegada do veículo em Jussara, cidade onde Sttela morava com a mãe. A jovem entrou rapidamente na residência apenas para buscar uma mochila. No momento, a mãe dela não estava em casa;
  • 22h55: Ainda durante a parada em Jussara, Sttela publicou uma foto nas redes sociais ao lado da prima dentro da caminhonete. Na imagem, aparecia uma garrafa de uísque enquanto músicas tocavam no veículo. A postagem trazia uma legenda descontraída questionando qual seria o destino da viagem.
  • 23h13: Pouco depois o trio deixou Jussara seguindo pela PR-323 em direção a Maringá.
  • 00h16: Já na madrugada do dia 21 de abril, Sttela realizou outra publicação nas redes sociais em um trecho entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. O suspeito aparece na imagem, enquanto Letycia foi apenas marcada na postagem.
  • 3h17: As investigações também apontaram que a última conexão de Sttela à internet ocorreu às 3h17 daquela madrugada, informação obtida após um pedido emergencial de quebra de sigilo do WhatsApp.
  • 9h de 23 de abril: Clayton teria acessado a internet pela última vez;
  • 24 de abril: Dias depois, em 24 de abril, a polícia identificou registros indicando que o suspeito passou pela cidade de Maringá. Desde então, ele segue foragido, enquanto as forças de segurança continuam tentando localizar as jovens e esclarecer o caso.

Mães relataram estranheza após perda de contato

As mães de Letycia e Sttela relataram momentos de angústia ao perceberem que as filhas haviam desaparecido sem deixar qualquer notícia, comportamento que, segundo elas, era incomum para as jovens.

Em entrevistas à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ambas contaram como começaram a desconfiar que algo estava errado após perderem o contato com as meninas. Maria da Penha de Almeida, mãe de Letycia, afirmou que a filha costumava sair com amigas e viajar, mas sempre mantinha contato por mensagens.

“Naquele dia eu fui dormir cedo. […] Elas entravam e saíam [de casa]. Aí ela falou pra mim: ‘Mãe, talvez nós vamos pra Porto Rico’. Eu achei normal, pois não era a primeira vez que ela ia ou saía”, disse Maria.

Segundo Maria, o alerta surgiu quando as mensagens enviadas para a filha deixaram de ser respondidas. Pouco depois, uma amiga de Letycia entrou em contato dizendo que também estranhava o fato de a jovem não aparecer mais nas redes sociais, algo considerado fora do comum.

A mãe de Sttela, Ana Erli Melegari, também relatou que estranhou a falta de retorno da filha. Ela explicou que não estava em casa na noite do desaparecimento e havia conversado normalmente com a jovem durante a segunda-feira. No entanto, na manhã seguinte, percebeu que as mensagens não eram entregues.

“Na terça eu mandei mensagem pra ela de manhã, mas não chegou. Achei que ela estivesse dormindo, pois eu estava em Maringá. À tarde mandei de novo, avisando que estava indo embora, mas a mensagem não chegou também. Aí mandei mensagem para minha outra menina perguntando se ela tinha visto a Sttela postar alguma coisa, mas ela respondeu que não tinha nenhuma postagem”, disse Ana.

Suspeito usava identidade falsa

As investigações sobre o desaparecimento das primas revelaram que o homem que acompanhava as jovens utilizava uma identidade falsa. Conhecido pelas vítimas como “Davi”, ele foi identificado pela polícia como Clayton Antonio da Silva Cruz, que já era procurado pela Justiça por um roubo ocorrido em 2023, na cidade de Apucarana, no Centro-Norte do Paraná.

De acordo com a Polícia Civil, a caminhonete preta usada pelo suspeito durante a viagem das jovens apresentava sinais de clonagem. Os investigadores também descobriram que Clayton era conhecido pelos apelidos “Sagaz” e “Dog Dog” e costumava frequentar festas e casas noturnas em Cianorte.

Polícia divulgou imagens do suspeito, identificado como Clayton Antonio da Silva Cruz (Foto: Polícia Civil – PC-PR)

“Foi difícil identificar ele, então isso chamou atenção.[…] Era como se o Davi fosse um ‘ser social’ dentro de Cianorte, nas baladas da cidade, mas fosse um ser invisível, do ponto de vista de sua identificação”, explicou o delegado.

A apuração aponta ainda que o suspeito retornou sozinho para Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. Segundo o delegado responsável pelo caso, ele já não estava mais com a caminhonete e deixou a cidade novamente utilizando uma motocicleta, além de estar sem telefone celular.

Diante das evidências reunidas durante a investigação, a Justiça decretou no dia 29 de abril a prisão temporária de Clayton, que passou a ser procurado também por suspeita de homicídio. Para a polícia, existem indícios de que ele esteja vivo e tenha atuado sozinho no desaparecimento das duas primas.

Novos locais passaram a ser investigados

O desaparecimento de Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari passou a ser tratado como prioridade máxima pelas forças de segurança do Paraná. A determinação partiu do secretário de Segurança Pública do estado, coronel Hudson Leôncio Teixeira, diante da repercussão e da gravidade do caso.

Segundo o delegado Luis Fernando Alves Silva, responsável pelas investigações, o trabalho policial avançou nos últimos dias com o mapeamento de novos pontos considerados estratégicos para as buscas. Equipes de diferentes setores das forças de segurança seguem mobilizadas na tentativa de localizar as jovens e encontrar o principal suspeito do caso, Clayton Antonio da Silva Cruz.

“Muitas informações chegaram por fontes anônimas e nós estamos filtrando essas informações. […] Nós estamos checando e mobilizando toda a força-tarefa da Secretaria de Segurança Pública, para que a gente possa fazer as buscas e a localização do suspeito”, disse o delegado.

Durante o último fim de semana, policiais militares realizaram varreduras em uma área rural na região de Paranavaí, no noroeste paranaense. Apesar da operação, nenhum vestígio relacionado ao desaparecimento foi encontrado no local, conforme informou a corporação.

Buscas pelas primas foram realizadas na área rural de Paranavaí, no último fim de semana (Foto: PM-PR)

A Polícia Civil reforçou ainda o pedido de colaboração da população. Informações que possam ajudar na localização de Clayton ou das jovens desaparecidas podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 181, 190 e 197, além de qualquer delegacia do estado.

Polícia ainda tenta esclarecer o que aconteceu

Embora a principal linha de apuração da Polícia Civil trabalhe com a hipótese de duplo homicídio, os investigadores ressaltam que ainda não existem provas definitivas que confirmem o crime. Nenhum corpo foi encontrado até agora, o que mantém diferentes possibilidades em análise durante a investigação.

Outro ponto que chama a atenção dos policiais é o retorno de Clayton Antonio da Silva Cruz sozinho para Cianorte poucos dias após o desaparecimento das primas. A polícia busca entender o motivo da volta à cidade e também as circunstâncias que levaram o suspeito a fugir novamente logo em seguida.

Os investigadores também tentam esclarecer como Clayton conseguiu viver em Cianorte sem levantar suspeitas, mesmo sendo considerado foragido da Justiça por outro crime. Segundo a polícia, ele utilizava uma identidade falsa e frequentava festas e ambientes noturnos da cidade sem ser identificado pelas autoridades.

Leia mais no Bacci Notícias:

Vídeos curtos

Mais lidas