Uma mulher decidiu abandonar um emprego considerado estressante para mudar completamente de vida e encontrou uma forma inusitada de obter renda: oferecer abraços. A nova atividade, baseada em contato humano e acolhimento emocional, acabou se transformando em uma fonte de ganhos financeiros significativos, surpreendendo até ela mesma com os resultados.
Mudar de carreira é um desejo comum entre profissionais em busca de mais qualidade de vida e satisfação pessoal e em alguns casos, essa transição pode também trazer bons resultados financeiros. É o que vive a norte-americana Ella Love, de 51 anos, que deixou a sala de aula para atuar como “terapeuta do abraço”.

Abraços (Foto: Freepik)
Residente em Nova York, Ella conta que trabalha cerca de três horas por dia e cobra aproximadamente US$ 150 por hora, valor equivalente a cerca de R$ 740. Após 13 anos atuando como professora, ela decidiu abandonar a profissão e, com a nova atividade, passou a alcançar uma renda anual que pode chegar a US$ 100 mil, cerca de R$ 493 mil.
“Meu cliente típico é homem de meia-idade com um emprego bem remunerado e muitos deles são casados. Eles não querem trair ou abandonar suas parceiras, mas não há intimidade”, relatou ao New York Post.
De acordo com ela, muitos dos clientes que a procuram relatam dificuldades de conexão emocional dentro dos relacionamentos. Em alguns casos, são pessoas que enfrentam problemas de comunicação com os parceiros e buscam na terapia do abraço uma forma de lidar com a sensação de distanciamento, mesmo ainda desejando preservar o casamento.
Ella Love conheceu o “cuddling profissional”
Ella Love conheceu a prática do “cuddling profissional” em 2017, após ler um artigo na internet sobre o serviço. Curiosa com a proposta, ela decidiu se aprofundar no tema e realizou um curso especializado, pelo qual pagou cerca de US$ 300 (aproximadamente R$ 1,4 mil).
A partir dessa formação, ela passou a atuar profissionalmente na área, transformando os abraços remunerados em sua principal atividade. Com jornadas que envolvem longos períodos de contato físico e acolhimento emocional, Ella incorporou a nova rotina ao seu dia a dia.
“Em seis meses, eu gostei tanto que tirei um período sabático e nunca mais voltei. Naquele inverno, eu já estava trabalhando em tempo integral e agora já faço isso há oito anos”, disse.
Na época, a norte-americana já se sentia desgastada com o trabalho em uma escola em Nova York. Diante do cansaço e da insatisfação profissional, ela viu na nova oportunidade uma forma de recomeçar a carreira e mudar completamente sua trajetória profissional.
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Clientes passam por triagem
Embora a atividade envolva contato físico próximo e momentos de intimidade emocional, Ella Love afirma que seu trabalho é guiado por regras rigorosas. Segundo ela, todos os clientes passam por uma triagem antes de serem aceitos, já que há critérios definidos e um código de conduta que estabelece limites claros para as sessões.
“Eu digo a eles que é natural, mas que não se pode agir de acordo com isso. Você respira, muda de posição e segue em frente. Isso faz parte do profissionalismo”, relatou.
De acordo com Ella, a orientação é manter o foco no respeito aos limites estabelecidos. Quando necessário, ela afirma que o atendimento segue com ajustes de postura e técnicas de redirecionamento, preservando sempre o caráter terapêutico do serviço.
Para ela, o mais importante não é apenas a prática em si, mas o sentimento de segurança oferecido aos clientes. Ella destaca ainda que, embora nem todos precisem desse tipo de serviço, todos merecem ter acesso a um ambiente de acolhimento e confiança.
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