O recolhimento de produtos da Ypê após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa levantou dúvidas entre consumidores sobre os riscos do contato com a pele e os possíveis efeitos da contaminação.

Foto: Divulgação/Ypê.
Foto: Divulgação/Ypê.

O recolhimento de detergentes da Ypê após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa levantou dúvidas entre consumidores sobre os riscos do contato com a pele e os possíveis efeitos da contaminação.

Lotes de Ypê serão recolhidos (Foto: Reprodução)

Lotes de Ypê serão recolhidos (Foto: Reprodução)

Em entrevista ao Bacci Notícias, a médica que atua em dermatologia, Giselle Mello explicou quais problemas podem surgir após o uso de produtos contaminados e como identificar sinais de alerta.

A bactéria foi encontrada em lotes de detergentes recolhidos após determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que também apontou irregularidades no processo de fabricação.

Quais os riscos do contato com a pele?

Segundo a especialista, muitas pessoas acreditam que produtos em circulação são automaticamente seguros, mas isso nem sempre é verdade.

“Muita gente pensa que, porque o produto é vendido livremente ou porque todo mundo usa, não existe risco. Mas a pele é um órgão extremamente sensível, principalmente em áreas mais delicadas do corpo”, explicou.

De acordo com a dermatologista, substâncias inadequadas ou contaminadas podem provocar desde irritações leves até reações mais graves.

Entre os principais sintomas estão:

  • coceira intensa;
  • vermelhidão;
  • descamação;
  • sensação de queimadura;
  • inchaço;
  • dermatites;
  • queimaduras químicas;
  • alterações na barreira de proteção da pele.

Ela também alerta que produtos contaminados podem favorecer infecções bacterianas e fúngicas.

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Contaminação aumenta os riscos

A médica afirma que o perigo se torna ainda maior quando existe contaminação microbiológica no produto.

“Um produto contaminado pode carregar bactérias, fungos ou substâncias instáveis que provocam reações muito mais agressivas”, destacou.

Segundo ela, em casos mais graves podem surgir:

  • dor intensa;
  • bolhas;
  • secreções;
  • lesões na pele;
  • sensação progressiva de queimadura;
  • odor alterado;
  • processo inflamatório perceptível.

Anvisa determinou o recolhimento dos lotes com final 1 de marcas de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca (Foto: Reprodução)

O que fazer em caso de reação?

A recomendação é interromper imediatamente o uso do produto ao perceber qualquer alteração na pele.

A dermatologista orienta que a região afetada seja lavada apenas com água abundante, sem aplicação de receitas caseiras ou outras substâncias por conta própria.

“Não tente neutralizar usando outros produtos, porque isso pode piorar ainda mais a situação”, alertou.

Ela reforça que a pessoa deve procurar atendimento médico rapidamente caso apresente sintomas como:

  • dor forte;
  • dificuldade para respirar;
  • inchaço importante;
  • feridas;
  • piora rápida da pele.

Como diferenciar alergia comum de reação por contaminação?

Segundo a especialista, uma alergia simples normalmente provoca irritação leve, coceira e vermelhidão limitada à área de contato. Já uma reação ligada à contaminação costuma ser mais agressiva e apresentar evolução rápida.

“Uma reação relacionada à contaminação costuma ter um comportamento mais agressivo e desproporcional, com dor intensa, calor local, secreção, piora rápida, sinais infecciosos ou até sintomas sistêmicos”, explicou.

Outro fator importante, segundo ela, é observar se outras pessoas que utilizaram o mesmo produto também apresentaram sintomas semelhantes.

“Pele sensibilizada não é exagero”, alerta médica

Ao final da entrevista, Dra. Giselle Mello fez um alerta sobre o uso indiscriminado de produtos vendidos sem controle adequado, principalmente pela internet.

“Pele sensibilizada não é frescura. Muitas vezes o corpo está dando sinais claros de que algo não está seguro”, afirmou.

Ela também criticou a banalização de fórmulas caseiras e tendências divulgadas nas redes sociais.

“Saúde da pele não deve ser tratada como tendência de rede social. Produtos e procedimentos precisam ter procedência, segurança e acompanhamento profissional”, concluiu.

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