A Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha para definir protocolos inéditos após o surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius. O caso, considerado o primeiro do tipo em uma embarcação turística, já deixou três mortos e mobiliza autoridades internacionais antes da chegada do navio às Ilhas Canárias, na Espanha. Segundo a OMS, quase 150 passageiros ainda estão a bordo e deverão passar por monitoramento assim que desembarcarem.

Foto: Reprodução.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha para definir protocolos inéditos após o surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius. O caso, considerado o primeiro do tipo em uma embarcação turística, já deixou três mortos e mobiliza autoridades internacionais antes da chegada do navio às Ilhas Canárias, na Espanha. Segundo a OMS, quase 150 passageiros ainda estão a bordo e deverão passar por monitoramento assim que desembarcarem.

Tubos de ensaio com amostras do hantavírus. Foto: Reprodução.

OMS prepara medidas para desembarque de passageiros

De acordo com especialistas ouvidos pela agência Reuters, a principal preocupação é definir como será feito o isolamento e o monitoramento dos passageiros considerados de risco.

A OMS informou que os viajantes estão sendo divididos entre grupos de alto e baixo risco, dependendo do contato com pessoas infectadas durante a viagem. Nenhum dos passageiros restantes apresenta sintomas até o momento, segundo a operadora do cruzeiro.

Estratégia segue modelo usado na Argentina

As autoridades sanitárias também utilizam como referência um surto registrado na Argentina entre 2018 e 2019, envolvendo a variante andina do hantavírus. Na época, 34 pessoas foram infectadas e 11 morreram. Especialistas afirmam que medidas simples de isolamento ajudaram a conter a transmissão.

“Se seguirmos as medidas de saúde pública e as lições aprendidas com a Argentina, podemos quebrar essa cadeia de transmissão”, afirmou Abdi Rahman Mahamud, diretor de resposta da OMS.

Passageiros podem ficar isolados por mais de 40 dias

A OMS avalia recomendar que pessoas ligadas ao surto monitorem a temperatura corporal diariamente durante pelo menos 42 dias. Isso porque a variante dos Andes possui um longo período de incubação, segundo especialistas da organização.

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O governo do Reino Unido já anunciou que passageiros britânicos serão repatriados em voo especial e deverão cumprir isolamento de até 45 dias após o retorno ao país.

Especialistas dizem que risco global segue baixo

Apesar da mobilização internacional, especialistas afirmam que o cenário não deve ser comparado à pandemia de Covid-19. Segundo a OMS, o hantavírus dos Andes costuma se espalhar apenas em situações de contato próximo e prolongado com pessoas já sintomáticas.

A infectologista Krutika Kuppalli afirmou que protocolos de rastreamento de contatos seguem o mesmo princípio usado em surtos de sarampo e ebola.

O que é o hantavírus

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. A contaminação acontece, na maioria dos casos, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais.

A doença pode causar complicações respiratórias graves e apresentar alta taxa de mortalidade em alguns casos.

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