Autoridades de saúde dos Estados Unidos e da Holanda investigam casos suspeitos de hantavírus identificados em pacientes que apresentaram sintomas compatíveis com a doença. A situação acendeu um alerta internacional, principalmente após relatos envolvendo passageiros ligados a um cruzeiro. Os pacientes estão sendo monitorados enquanto exames são realizados para confirmar ou descartar a infecção.

O cruzeiro MV Hondius (Foto: Reprodução/Redes Sociais))
O cruzeiro MV Hondius (Foto: Reprodução/Redes Sociais))

Autoridades da França, Holanda e Singapura passaram a investigar possíveis casos de hantavírus em pacientes que não tiveram relação direta com o cruzeiro MV Hondius, onde um surto da doença foi identificado.

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Navio de cruzeiro ‘MV Hondius’, operado pela Oceanwide Expeditions | Foto: Divulgação/Oceanwide Expeditions

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (7) e aumentou a preocupação das autoridades de saúde, já que são os primeiros registros suspeitos fora do grupo de passageiros da embarcação.

O navio havia partido da Argentina no começo de abril e ganhou atenção internacional após a morte de um turista alemão infectado pelo vírus. Posteriormente, um casal holandês também morreu, enquanto outros passageiros passaram a ser monitorados com suspeita da doença, entre eles um cidadão suíço, segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com os novos casos em investigação, órgãos de saúde acompanham a situação para entender se há ligação indireta entre os pacientes e o surto registrado no cruzeiro.

Voo na África do Sul

As autoridades internacionais investigam a possibilidade de que a transmissão do hantavírus fora do cruzeiro tenha ocorrido durante um voo que passou por Johanesburgo, na África do Sul. A suspeita surgiu após passageiros e pessoas que tiveram contato com infectados começarem a apresentar sintomas compatíveis com a doença em diferentes países.

Em Singapura, duas pessoas foram colocadas em isolamento por terem viajado no mesmo avião da viúva de uma das vítimas fatais do surto registrado no navio. Já na Holanda, uma funcionária da companhia aérea KLM precisou ser hospitalizada em Amsterdã após apresentar sinais que podem indicar infecção pelo vírus. Segundo a empresa, as autoridades sanitárias iniciaram o monitoramento de todos os passageiros que estavam no mesmo voo.

Nos Estados Unidos, estados como Califórnia, Geórgia e Arizona também acompanham pacientes com sintomas suspeitos, de acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional. Na França, um homem que manteve contato com uma pessoa infectada está sob observação médica, embora não apresente sintomas até o momento.

Diante da expansão das investigações, a Organização Mundial da Saúde informou que trabalha em conjunto com diferentes países para rastrear possíveis cadeias de transmissão e esclarecer a origem dos novos casos suspeitos.

“De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada”, declarou o diretor-geral da OMS.

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Grupo de passageiros não retornou ao cruzeiro

As investigações sobre a disseminação do hantavírus fora do cruzeiro MV Hondius passaram a considerar uma nova hipótese envolvendo passageiros que deixaram a embarcação na ilha de Santa Helena.

Segundo informações divulgadas pelo governo holandês nesta quinta-feira (7), cerca de 40 pessoas desembarcaram no local após a confirmação da primeira morte relacionada ao vírus a bordo.

A operadora do cruzeiro informou ainda que 29 desses passageiros não retornaram ao navio depois da parada na ilha. Entre os viajantes estava a viúva de um turista holandês que morreu após contrair a doença, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores da Holanda.

As autoridades avaliam se o desembarque pode ter contribuído para a possível circulação do vírus fora da embarcação, enquanto equipes de saúde seguem monitorando contatos e rastreando possíveis cadeias de transmissão.

A informação do governo holandês é notória porque o desembarque ocorreu em um momento em que o surto de hantavírus já havia começado, porém poderia ainda haver dúvidas sobre a contaminação a bordo. Com isso, o eventual contato desses passageiros com moradores de Santa Helena pode ser um problema de saúde pública.

Empresa omitiu desembarque

Novas informações divulgadas sobre o caso apontam que outros passageiros também deixaram o cruzeiro durante a parada na ilha de Santa Helena, fato que não havia sido detalhado anteriormente pela empresa responsável pela embarcação.

Até então, a operadora havia informado apenas que a viúva de uma das vítimas desembarcou acompanhando o corpo do marido antes de seguir viagem para a África do Sul em um voo comercial.

As autoridades da Holanda ainda tentam identificar o paradeiro das pessoas que deixaram o navio naquele momento. Enquanto isso, equipes de saúde e órgãos de vigilância na Europa e na África do Sul trabalham para localizar possíveis contatos desses passageiros e monitorar eventuais riscos de transmissão.

Localizada no Atlântico Sul, Santa Helena é um território britânico ultramarino conhecido mundialmente por ter sido o local onde Napoleão Bonaparte passou os últimos anos de vida e morreu.

No último domingo (3), a Organização Mundial da Saúde (OMS) está  acompanhando um possível surto de hantavírus relacionado ao cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Atlântico após partir de Ushuaia, na Argentina.

Segundo as informações divulgadas, um caso da doença já foi confirmado por exames laboratoriais, enquanto outros pacientes seguem sendo analisados pelas autoridades sanitárias.

Até o momento, seis pessoas apresentaram sintomas compatíveis com o vírus. Três delas morreram, e um passageiro permanece internado em estado grave em um hospital na África do Sul. A suspeita é de que a infecção tenha começado dentro da embarcação, que seguia viagem em direção a Cabo Verde.

O primeiro caso identificado foi o de um homem de 70 anos que passou mal durante a travessia e morreu ainda no navio. O corpo foi levado posteriormente para a ilha de Santa Helena, território britânico situado no Atlântico Sul.

A esposa do passageiro, de 69 anos, também apresentou sintomas ao longo da viagem e chegou a ser transferida para um hospital em Joanesburgo, mas não resistiu.

As vítimas ainda não tiveram as identidades oficialmente reveladas, embora exista a suspeita de que sejam turistas holandeses. Informações preliminares apontam ainda para uma terceira morte registrada durante o cruzeiro.

Entre os pacientes monitorados está um britânico de 69 anos, que segue internado em estado crítico em uma UTI na África do Sul. Outros passageiros continuam sob observação médica dentro da embarcação enquanto autoridades internacionais tentam esclarecer a origem da infecção e a dimensão do possível surto.

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