A Polícia Civil de São Paulo recebeu, na sexta-feira (15), uma nova denúncia contra o influenciador digital Jefferson de Souza (37). Ele é investigado por utilizar ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para criar montagens de cunho sexual envolvendo jovens evangélicas da Congregação Cristã do Brasil (CCB).

Jefferson de Souza (Reprodução / redes sociais)
Jefferson de Souza (Reprodução / redes sociais)

A Polícia Civil de São Paulo recebeu, na sexta-feira (15), uma nova denúncia contra o influenciador digital Jefferson de Souza (37). Ele é investigado por utilizar ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para criar montagens de cunho sexual envolvendo jovens evangélicas da Congregação Cristã do Brasil (CCB).

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Carro da Polícia Civil (Foto: PCSP/Divulgação/Agência Brasil)

É a segunda adolescente, de 17 anos, a formalizar um boletim de ocorrência contra o criador de conteúdo. O registro mais recente foi feito pela mãe da jovem na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Norte, motivado pela repercussão de casos anteriores divulgados recentemente.

De acordo com o depoimento, Souza utilizou fotos retiradas das redes sociais da adolescente sem autorização para produzir vídeos manipulados com a tecnologia deepfake, técnica que altera digitalmente imagens para criar situações inexistentes com alto grau de realismo.

Montagens causaram impacto psicológico

Nas montagens publicadas em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, a imagem da adolescente foi alterada para que ela aparecesse dançando de forma sensual dentro de uma igreja, vestindo roupas curtas.

Em um dos vídeos citados na denúncia, a jovem aparece ao lado de uma mulher de minissaia e de uma representação do apresentador Silvio Santos. A família relatou que a exposição na internet causou sérios danos psicológicos à garota, que já havia tentado denunciar o perfil do influenciador diretamente nas redes sociais anteriormente.

Por envolver uma menor de idade, o caso é tratado sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especificamente no artigo 241-C, que versa sobre a simulação de cenas de sexo ou pornografia infantil por meio digital. A pena para este crime varia de um a três anos de reclusão, além de multa.

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Reprodução / redes sociais

Defesa alega humor e crítica religiosa

Jefferson de Souza, que reside em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, e soma cerca de 50 mil seguidores, admite a autoria dos vídeos, mas nega qualquer intenção criminosa.

Em depoimentos anteriores e manifestações em suas redes, o influenciador, que também atua como imitador, afirmou que o conteúdo possui caráter humorístico e serve como crítica ao que ele chama de comportamentos mundanos e ao modo de se vestir das fiéis durante os cultos.

A defesa do investigado, representada pelo advogado Aguinaldo Ereno, não se manifestou sobre a nova queixa até o fechamento desta matéria.

Anteriormente, Souza declarou à polícia que não tinha conhecimento de que algumas das vítimas eram menores de idade e que utilizava fotos disponíveis em perfis públicos para alimentar o sistema de inteligência artificial.

Instituições se manifestaram

Além das denúncias envolvendo adolescentes, o influenciador também é alvo de investigações por difamação contra mulheres adultas que também tiveram suas imagens manipuladas. O número de vítimas ainda está sendo apurado pelos investigadores. Até o momento, Jefferson responde ao processo em liberdade.

A Congregação Cristã do Brasil informou, em nota, que não possui um cadastro formal de membros, mas reiterou que apoia integralmente as medidas tomadas pelas autoridades e pelas famílias. O YouTube confirmou a remoção de conteúdos que violavam suas diretrizes, enquanto o TikTok reafirmou sua política de tolerância zero contra a exploração sexual infantil. A Meta, dona do Instagram, não comentou o caso.

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