Flávio Bolsonaro afirmou que há uma tentativa de separá-lo politicamente de Tarcísio de Freitas em meio à crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”. Nos bastidores, aliados apontam preocupação do governador paulista com os impactos do caso na campanha eleitoral de 2026.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (15) que adversários políticos tentam criar “um muro” entre ele e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos – SP), em meio à crise provocada pelas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“Tarcísio, eu sei a pressão que você sofre. A tentativa a todo momento de colocar um muro entre nós e tentar nos separar. É porque eles sabem que, com a gente junto, ninguém segura São Paulo”, declarou Flávio durante evento em Campinas, no interior paulista.
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O senador ainda chamou Tarcísio de “extraordinário”.
Bastidores apontam incômodo de Tarcísio
Nos bastidores, aliados afirmam que Tarcísio demonstra preocupação com o impacto político que a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro pode causar em sua campanha à reeleição no maior colégio eleitoral do país.
Apesar disso, publicamente o governador tem afirmado que Flávio já esclareceu o contexto das conversas e negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Tarcísio é considerado um dos principais cabos eleitorais da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Filme “Dark Horse” está no centro da crise
Segundo reportagem publicada pelo site Intercept Brasil, Daniel Vorcaro teria destinado aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, produção internacional sobre Jair Bolsonaro.
Os recursos teriam sido solicitados por Flávio Bolsonaro.
Mensagens divulgadas mostram conversas entre o senador e o banqueiro sobre o projeto. Uma delas ocorreu em novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Inicialmente, Flávio negou qualquer relação com o banqueiro. Após a divulgação dos documentos, porém, admitiu ter buscado investidores privados para o longa.
“Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, afirmou o senador em entrevista à GloboNews.
PF investiga possível ligação com Eduardo Bolsonaro
As investigações também apuram se parte dos recursos ligados ao filme pode ter sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e ações de articulação política com o governo do presidente Donald Trump.
Segundo documentos divulgados pelo Intercept, Eduardo Bolsonaro chegou a assinar contrato como produtor-executivo do filme ao lado do deputado federal Mario Frias.
O ex-deputado, porém, negou ter recebido dinheiro da produção ou da empresa Entre Investimentos, responsável pelos repasses relacionados ao projeto.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que o contrato foi posteriormente desfeito.
Governo Lula deve explorar relação em campanha
Apesar do alinhamento político entre Tarcísio e Flávio Bolsonaro, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva avaliam explorar, na disputa eleitoral de São Paulo, parcerias firmadas entre o Palácio do Planalto e o governo paulista, como o projeto do túnel Santos-Guarujá.
A estratégia pode ser utilizada em eventual campanha de Fernando Haddad ao governo estadual.
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