Quase dez meses após a violenta chacina de Icaraíma, no Noroeste do Paraná, novas fotos periciais anexadas aos autos apontam que as quatro vítimas sofreram tortura antes de morrer. Segundo a advogada Josiane Monteiro, os corpos exibem sinais de agressões severas, ferimentos na orelha e pés amarrados com uma corda vermelha.

Foto: reprodução/redes sociais
Foto: reprodução/redes sociais

Novos elementos de extrema crueldade foram incorporados ao processo judicial da chacina de Icaraíma, do Paraná, que resultou na morte dos quatro amigos.

Fotografias periciais anexadas recentemente aos autos, quase dez meses após o crime, revelam que as vítimas foram submetidas a graves sessões de agressões físicas e tortura antes de serem executadas. A chocante atualização foi confirmada pela advogada que representa as famílias das vítimas, Josiane Monteiro, e pode mudar a linha de investigação que vinha sendo adotada pelas autoridades.

​Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Mariscal, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron haviam sido encontrados enterrados em uma vala na área rural do município após desaparecerem.

“As imagens revelam indícios que não haviam sido amplamente discutidos e reforçam que os assassinatos foram precedidos por severa violência física”, explicou a defensora ao portal GMC Online.

Relembre o último registro dos 4 amigos mortos na Chacina de Icaraíma 

Corda vermelha nos pés e mutilação na orelha expõem requintes de crueldade

​A inclusão das fotografias cadavéricas chocou os familiares, pois, nas fases iniciais do inquérito, o entendimento público era de que não existiam marcas de tortura. A defesa das famílias afirmou que vinha solicitando o acesso completo ao material há meses, já que o Estado havia anexado apenas documentos textuais e incompletos ao processo.

Imagens da tortura sofrida pelos 4 amigos

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​Imagens periciais detalham o horror vivido pelas vítimas antes da morte

  • ​Corpo de um dos homens exibia os pés firmemente amarrados por uma corda vermelha, indicando impossibilidade de defesa ou cárcere privado.
  • ​Outra vítima apresentava uma severa mutilação na região da orelha, analisada pela perícia como indício contundente de agressão física prévia à execução.Análise técnica derruba tese de que assassinatos ocorreram dentro de automóvel

​As novas evidências também derrubam a primeira versão apresentada pela Polícia Civil nos meses logo após a chacina de Icaraíma. Inicialmente, a principal suspeita indicava que os quatro homens haviam sido mortos a tiros enquanto estavam confinados dentro do veículo utilizado por eles, onde vestígios de sangue foram achados.

​No entanto, com o cruzamento dos novos laudos médicos e os depoimentos colhidos ao longo da apuração, os peritos técnicos concluíram que ao menos parte das execuções ocorreu fora do automóvel.

A dinâmica aponta que o grupo foi retirado do carro, rendido, torturado em solo e executado com características de julgamento de tribunal do crime.

Uso de armas afasta tese de legítima defesa

​Diante do avanço dos exames periciais e balísticos, uma hipótese levantada informalmente pelos suspeitos sobre uma suposta “legítima defesa” motivada por cobrança de dívidas ruiu por completo. O laudo de balística identificou que os assassinos utilizaram pelo menos cinco armas de fogo de calibres diferentes nas execuções.

​A quantidade de armamento e a logística empregada comprovam:

  • ​Ação coordenada: Houve a participação direta de múltiplos atiradores na linha de tiro.
  • ​Premeditação: Os elementos configuram uma emboscada planejada seguida de ocultação de cadáveres em um local de difícil acesso, distante da cena do crime original.

Foto: OBemdito

Buscariollos seguem foragidos desde o ano passado; polícia pede denúncias

​Por fim, apesar das novas provas científicas que confirmam o sequestro e o cárcere privado das quatro vítimas, os principais suspeitos de terem ordenado e executado o crime brutal continuam em liberdade. Antônio Buscariollo, de 67 anos, conhecido popularmente como “Tonhão”, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, permanecem foragidos da Justiça desde agosto de 2025.

​Os mandados de prisão preventiva expedidos contra pai e filho seguem em aberto em todo o território nacional. Os familiares das vítimas esperam que a revelação da tortura traga agilidade às buscas policiais.

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