Uma nova vítima denunciou o falso policial militar preso em Goiás por usar imagens geradas por inteligência artificial. A mulher afirma ter perdido mais de R$ 50 mil durante um relacionamento de um ano e meio e acusa o suspeito de manipulação emocional e exploração financeira.
A prisão de um homem suspeito de usar imagens criadas por inteligência artificial (IA) para se passar por policial militar em Goiás levou uma nova vítima a procurar a Polícia Civil para denunciar golpes e manipulações que, segundo ela, ocorreram ao longo de aproximadamente um ano e meio de relacionamento.

Falso policial foi preso (Foto: Polícia Militar GO)
A mulher, que não teve a identidade revelada, afirma ter acumulado prejuízos superiores a R$ 50 mil após acreditar na falsa história construída pelo investigado.
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Momento de fragilidade
Segundo o relato, além das perdas financeiras, o suspeito teria se aproveitado de um dos momentos mais difíceis da vida dela: a morte do filho. A mulher contou que estava emocionalmente fragilizada e que o homem utilizava discursos religiosos e argumentos emocionais para conquistar sua confiança.
“Ele se aproveitou muito desse momento. Meu filho era meu braço direito, dormia comigo, me ajudava em tudo. Eu estava destruída emocionalmente e ele sabia disso. Ele dizia que a morte do meu filho era uma punição de Deus para mim. Hoje eu percebo o quanto fui manipulada”, relatou.
Denúncia
Após acompanhar a repercussão da prisão do suspeito, a mulher decidiu formalizar a denúncia. Segundo ela, o sentimento de vergonha havia impedido que procurasse as autoridades anteriormente.
“Eu não denunciei antes por vergonha. Mas quando vi outra mulher passando pela mesma situação, pensei que, se eu tivesse falado antes, talvez ela não tivesse sofrido esse prejuízo. Ficar calada também é ser omissa”, afirmou.

(Foto: Reprodução)
Falso policial militar
De acordo com ela, a falsa identidade de policial militar era apenas uma das estratégias utilizadas pelo investigado para conquistar a confiança das vítimas. Ela afirma que o homem também construía a imagem de um cidadão exemplar, religioso e dedicado à família.
“Ele se passa por policial para atrair mulheres, mas não é só isso. Ele também se passava por um evangélico exemplar, um homem que cuidava do pai acamado, que se preocupava com a família. Inclusive usava vídeos do pai para sensibilizar as pessoas. Hoje eu vejo que tudo isso fazia parte da imagem que ele criava para ganhar confiança”, declarou.
Para tornar a história mais convincente, o suspeito utilizava fotografias em redes sociais e aplicativos de relacionamento vestindo roupas semelhantes às da Polícia Militar, apresentava supostos contracheques da corporação e relatava situações que teriam ocorrido durante o serviço policial.
“Agora ele diz que criou as imagens por causa de uma situação específica envolvendo outra mulher. Mas ele já fazia isso muito antes. Essa história de policial existia desde quando eu o conheci, em 2024”, afirmou.
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Pedidos por dinheiro
Segundo a vítima, os pedidos de dinheiro começaram poucos meses após o início do relacionamento e se tornaram frequentes. Ela conta que acreditava nas justificativas apresentadas porque pensava que ele realmente integrava a corporação.
“Era o tempo inteiro. Ele dizia que estava trabalhando, que o cartão tinha sido bloqueado, que precisava resolver uma emergência. Falava que tinha atirado em alguém em serviço, que precisava indenizar vítimas ou familiares. Eu acreditava porque achava que ele realmente era policial”, disse.
Comprovantes bancários
Ao registrar a ocorrência, a mulher apresentou comprovantes de transferências bancárias realizadas ao investigado. Entre os valores identificados estão Pix de R$ 5 mil, R$ 8 mil e R$ 9 mil. Ela afirma que ainda reúne outros documentos para complementar a denúncia.
Além das transferências, a mulher relatou ter fornecido um cartão adicional de banco ao suspeito, adquirido um celular para ele e arcado com diversas despesas durante o relacionamento.
“Tem Pix de R$ 5 mil, de R$ 8 mil, de R$ 9 mil. Esses são os que eu consegui localizar rapidamente. Ainda estou levantando outros comprovantes. Ele pediu que eu fizesse um cartão adicional do Bradesco para ele. Nunca pagou uma fatura sequer. Também comprei um iPhone e ele nunca me devolveu o dinheiro. Isso sem contar roupas, viagens, combustível, hospedagens e tudo o que eu paguei”, afirmou.

(Foto: Reprodução)
Outras vítimas
A mulher também relatou que uma amiga de 73 anos teria sido enganada pelo suspeito. Segundo ela, a idosa acreditava que o homem enfrentava dificuldades para cuidar do pai doente e acabou realizando empréstimos e transferências.
“Ele viajava para praia, para Caldas Novas, para vários lugares. Sempre dizia que pagaria depois. Ela comprou passagens, fez transferências e emprestou dinheiro. O prejuízo dela passa de R$ 10 mil”, contou.
Uso do veículo
Outro prejuízo apontado pela denunciante envolve o uso frequente de seu veículo. Ela afirma que o homem pegava o carro e desaparecia por períodos prolongados, apresentando diferentes justificativas para o sumiço. Ao final do relacionamento, o automóvel acumulava quase R$ 4 mil em multas.
A mulher revelou que descobriu que ele não era policial militar apenas em outubro de 2025, após ser procurada por uma irmã do investigado.
“A irmã me procurou e disse que não achava justo eu continuar sendo enganada depois de tudo o que eu fazia pela família”, relatou.
Mulher permaneceu no relacionamento
Mesmo após descobrir a mentira, a mulher permaneceu no relacionamento por mais dois meses na tentativa de recuperar parte dos valores emprestados. Atualmente, ela afirma ter solicitado medidas protetivas por temer represálias.
“Ele tem acesso ao meu condomínio e conhece informações da minha rotina. Eu estou com medo”, disse.
A mulher acredita que a divulgação do caso pode ajudar outras possíveis vítimas a identificarem situações semelhantes.
“Não quero aparecer. Quero apenas que outras mulheres saibam como ele age. Porque a falsa identidade era só o começo. O objetivo sempre foi ganhar confiança para explorar financeiramente as pessoas”, concluiu.
Suspeito foi detido
O suspeito, de 30 anos, foi preso na quarta-feira (17) sob suspeita de utilizar imagens produzidas por inteligência artificial para se passar por policial militar. A investigação teve início após a denúncia de outra ex-namorada, que descobriu que ele não integrava a corporação.
Segundo as autoridades, o homem confessou ter criado as imagens, mas alegou que a intenção era ajudar uma ex-companheira a recuperar um veículo. A versão é contestada pela vítima.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
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