Um novo estudo de cientistas do clima aponta que o desequilíbrio energético da Terra — diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que devolve ao espaço — praticamente dobrou nas últimas décadas. Esse aumento indica que o planeta está acumulando calor em ritmo acelerado, o que contribui diretamente para a intensificação de eventos climáticos extremos em todo o mundo.
Nas últimas semanas, ondas de calor intensas têm atingido diversas regiões da Europa e do sul da Ásia, chamando atenção da comunidade internacional. No entanto, esses episódios extremos são apenas a face mais visível de um processo mais amplo e preocupante: o planeta Terra está retendo calor em ritmo acelerado, indicando mudanças profundas no sistema climático global.

O desequilíbrio energético da Terra continua a crescer (Foto: reprodução)
Uma equipe internacional de cientistas, liderada pelos pesquisadores responsáveis pelo acompanhamento anual do sistema climático global, divulgou uma nova atualização preocupante sobre o estado de equilíbrio energético da Terra.
Segundo o levantamento mais recente, o desequilíbrio entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que devolve ao espaço dobrou ao longo das últimas décadas, alcançando níveis considerados recordes.
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Esse excesso de energia é apontado pelos especialistas como um dos principais indicadores da intensidade e da velocidade das mudanças climáticas provocadas pela ação humana. Em condições naturais, sem a interferência das emissões de gases de efeito estufa, esse balanço energético deveria permanecer estável, com entrada e saída de energia em equilíbrio.
No entanto, desde a década de 1970, esse sistema vem apresentando uma crescente instabilidade.
Oceanos absorvem a maior parte do calor
Estima-se que cerca de 90% seja absorvido pelos oceanos, que funcionam como uma espécie de “reservatório” de energia térmica do planeta. Apesar disso, os impactos se espalham por todo o sistema terrestre.
Com o acúmulo de calor, os oceanos vêm registrando aumento de temperatura, enquanto as calotas polares e geleiras continuam em processo acelerado de derretimento. O permafrost também está descongelando em diversas regiões do planeta.
Outro efeito observado é a elevação do nível do mar, causada tanto pela expansão térmica da água oceânica mais quente quanto pelo derretimento do gelo continental. Desde o início do século XX, o nível médio global do mar subiu cerca de 23 centímetros.
Entre 1901 e 2018, o crescimento médio foi de aproximadamente 1,7 milímetro por ano. Já na última década, esse ritmo mais que dobrou, ultrapassando 3,6 milímetros anuais, o que reforça a preocupação com a aceleração das mudanças no sistema climático global.
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Ondas de calor marinhas se tornam mais frequentes
O acúmulo de energia nos oceanos também está associado ao aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos. Entre eles, destacam-se as chamadas ondas de calor marinhas — períodos prolongados em que a temperatura da água do mar fica significativamente acima do normal.
Em 2025, estimativas indicam que uma área média dos oceanos passou por aproximadamente 65 dias de ondas de calor marinhas, o equivalente a quase um dia a cada cinco. Em algumas regiões, esse número foi ainda maior, enquanto outras registraram menos incidências.

Aquecimento global (Foto: reprodução)
Essas ondas de calor têm impactos severos, afetando ecossistemas marinhos, prejudicando a atividade pesqueira e enfraquecendo barreiras naturais que protegem comunidades costeiras.
Com mares mais quentes, há maior evaporação e aumento da umidade no ar, o que contribui para a intensificação de fenômenos climáticos extremos em terra firme, como ondas de calor, chuvas intensas e períodos de seca mais prolongados.
El Niño influencia o clima global
O desequilíbrio energético do planeta também interage com fenômenos climáticos naturais, como o El Niño, um aquecimento cíclico das águas do Oceano Pacífico tropical, capaz de influenciar o clima em diversas partes do mundo.
Pesquisadores acompanham com atenção a possibilidade de um El Niño especialmente intenso, apelidado de “Godzilla”, impulsionado por condições oceânicas anormalmente quentes. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, esse fenômeno pode “colocar mais combustível em um mundo em aquecimento”, ampliando seus efeitos.
Enquanto algumas regiões, como a Austrália, podem enfrentar períodos prolongados de seca, outras tendem a registrar precipitações mais intensas e episódios de enchentes.
Independentemente das variações regionais, os especialistas destacam que o sistema climático está cada vez mais energético, o que favorece a ocorrência de eventos extremos mais frequentes e intensos.
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