O julgamento da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, acusada de provocar um atropelamento que resultou na morte de dois jovens em Cuiabá, foi marcado por forte comoção nesta terça-feira (23).
O julgamento da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, acusada de provocar um atropelamento que resultou na morte de dois jovens em Cuiabá, foi marcado por forte comoção nesta terça-feira (23).

Mauro Viveiros emocionou o plenário ao relembrar a morte do filho durante julgamento da motorista acusada. Foto: Reprodução.
Durante a sessão do Tribunal do Júri, o depoimento do assistente de acusação e pai de uma das vítimas, o procurador de Justiça aposentado Mauro Viveiros, chamou a atenção dos jurados e do público presente.
Desabafo do pai da vítima
Em sua fala, Mauro Viveiros criticou a forma como a acusada respondeu ao processo em liberdade após pagamento de fiança no momento da prisão em flagrante.
O pai de Ramón Viveiros afirmou que a sensação de injustiça foi intensificada pelo momento em que as famílias lidavam com a perda dos filhos.
“Prisão em flagrante, pagou a fiança e responde em liberdade. Enquanto os familiares retiravam os corpos e enterravam seus entes queridos”, declarou ao júri.
Reconstituição do acidente
Durante o depoimento, Mauro também reconstituiu a dinâmica do atropelamento ocorrido em frente à antiga boate Valley Pub, no dia 23 de dezembro de 2018.
Segundo ele, a acusada teria passado o dia em um churrasco com consumo de bebidas alcoólicas e, em seguida, continuado a noite em bares e uma casa noturna.
Ainda conforme a acusação, ela dirigia em alta velocidade quando fez uma mudança brusca de faixa e atingiu três jovens que atravessavam a via.
As vítimas teriam sido arremessadas a diferentes distâncias após o impacto, em uma pista considerada com boa visibilidade.
Cronologia da tragédia
De acordo com testemunhas ouvidas durante o processo, Rafaela teria ingerido bebidas alcoólicas durante todo o dia antes do acidente.
Uma amiga relatou que a motorista apresentava sinais visíveis de embriaguez e precisou até mesmo de ajuda para pagar a comanda na boate, pois não conseguia utilizar corretamente a biometria.
Mesmo assim, ela insistiu em dirigir. No trajeto, testemunhas afirmaram que o veículo fazia ultrapassagens em alta velocidade e trafegava acima do permitido.
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Imagens de câmeras de segurança mostraram que o carro não reduziu a velocidade antes de atingir os três jovens que atravessavam a avenida em direção a um carrinho de cachorro-quente.
Ramón, segundo registros da comanda da casa noturna, havia consumido apenas duas cervejas naquela noite.
Após o atropelamento, Rafaela recusou fazer o teste do bafômetro. Policiais relataram que ela apresentava olhos avermelhados, fala desconexa e sinais de desequilíbrio.
Famílias cobram justiça
Durante o depoimento, Mauro Viveiros afirmou que a dor da perda jamais foi superada, mas destacou que os familiares transformaram o sofrimento em uma luta por justiça.
“Os familiares transformaram o luto em voz. A dor em ação”, afirmou.
O julgamento segue no Tribunal do Júri de Cuiabá, onde sete jurados, quatro homens e três mulheres, decidirão se a acusada será condenada pelas mortes de Ramón Viveiros e Milena de Andrade, além das lesões graves causadas à sobrevivente Hya Girotto.
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