O produtor rural Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira se manifestou pela primeira vez sobre o incêndio que resultou em queimaduras em cerca de 30% do corpo e levou à prisão da esposa, a médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira. Em um vídeo gravado no hospital, ele afirmou que a companheira tentou apagar as chamas, prestou socorro imediatamente e não acredita que ela tenha tentado matá-lo.
O produtor rural Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira se manifestou pela primeira vez sobre o incêndio que resultou em queimaduras em cerca de 30% do corpo e levou à prisão da esposa, a médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira. Em um vídeo gravado no hospital, ele afirmou que a companheira tentou apagar as chamas, prestou socorro imediatamente e não acredita que ela tenha tentado matá-lo.

médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, presa após atear fogo no próprio marido (Foto: Reprodução)
As declarações foram divulgadas na última quinta-feira (02), no mesmo dia em que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Lidiane por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo.
Carlitos relata como ocorreu o incêndio
No vídeo, Carlitos confirma que o casal discutia no dia 22 de junho e afirma que a esposa jogou álcool sobre ele e em uma mochila que ele preparava para uma viagem. Segundo o relato, após a discussão, Lidiane saiu para fumar e ele foi conversar com ela na área externa da residência. Carlitos contou que não conseguiu identificar exatamente como o fogo começou.
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“Eu não lembro se ela foi atacar a bituca e pegou perto do meu pé. Eu sei que, na hora que pegou fogo, eu já saí rolando para apagar”, afirmou.
Ele também disse que a esposa tentou ajudá-lo imediatamente.
“Ela veio tentar apagar também, me ajudou. Ela arrancou a minha blusa que estava pegando fogo e até queimou a mão dela também.”
Vítima diz que foi socorrida pela esposa veterinária
Ainda na gravação, Carlitos destacou que foi a própria Lidiane quem o levou ao hospital logo após o incêndio.
“Ela foi a pessoa que me socorreu, que me levou correndo para o hospital. Eu até falei para ela: vai com calma. E ela foi desesperada”, declarou.
Segundo ele, decidiu gravar o vídeo porque gostaria que sua versão dos fatos também fosse considerada pelas autoridades. O produtor rural também informou que apresenta evolução no quadro clínico e já consegue realizar algumas atividades sozinho, além de sentir menos dores.
Família enfrenta dificuldades
Carlitos afirmou que a prisão da esposa tem afetado diretamente a rotina da família. Segundo ele, a filha assumiu diversas responsabilidades dentro de casa, enquanto o filho sente falta da mãe.
“A família está muito desestruturada sem eu. Ela está longe de casa. Está muito pesado para a nossa filha coordenar todas essas coisas da casa e cuidar do irmão dela sozinha.”
Marido afirma não acreditar em intenção de matar
Na parte final do vídeo, Carlitos disse acreditar que Lidiane não teve intenção de provocar sua morte e relacionou o episódio aos problemas psiquiátricos enfrentados por ela.
“Eu acho que ela não teve intenção. Dentro dos problemas psiquiátricos que ela tinha, envolvia esses momentos que ela ficava desnorteada. A Lidiane sempre foi uma companheira”, afirmou.
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Versão difere do depoimento da veterinária
Durante o interrogatório prestado à Polícia Civil após a prisão, Lidiane admitiu ter jogado álcool sobre o marido durante uma discussão motivada por ciúmes relacionados a uma suposta traição. Ela afirmou que pretendia atingir apenas a mochila do companheiro para impedir a viagem e que, posteriormente, acionou um isqueiro para assustá-lo. Segundo a investigada, ao perceber que o fogo atingiu Carlitos, tentou retirar a camiseta dele, apagar as chamas e o levou ao hospital.
Defesa pede que vídeo seja anexado ao processo
Os advogados de Lidiane informaram que o vídeo gravado por Carlitos já foi entregue à Polícia Civil, acompanhado de um pedido para que a gravação seja anexada aos autos e que a vítima seja ouvida oficialmente.
Segundo a defesa, o depoimento representa um elemento novo da investigação, já que Carlitos ainda não havia prestado declarações formais devido ao estado de saúde.
Os advogados também afirmam que o primeiro interrogatório de Lidiane ocorreu poucas horas após os fatos, quando ela ainda estava emocionalmente abalada e sem acompanhamento da defesa constituída.
Ministério Público e Polícia Civil divergem
Embora o Ministério Público tenha denunciado Lidiane por tentativa de homicídio qualificado, a conclusão da Polícia Civil foi diferente. No relatório final do inquérito, os investigadores entenderam que a conduta da veterinária após o incêndio, ao tentar apagar as chamas, sofrer queimaduras nas mãos e levar o marido ao hospital, caracterizaria arrependimento eficaz.
Mesmo assim, a Polícia Civil optou pelo indiciamento por tortura, considerando a própria declaração da investigada de que pretendia obter uma confissão sobre a suposta infidelidade do marido. Agora caberá à Justiça analisar a denúncia apresentada pelo Ministério Público e decidir se Lidiane passará oficialmente à condição de ré.
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