A pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff morreu na queda de um avião de pequeno porte em Campo Grande (MS). Referência mundial nos estudos sobre o tamanduá-bandeira, ela seguia para o Pantanal, onde realizava pesquisas de campo. O piloto Henrique Martin também morreu. O acidente será investigado pelo Cenipa.

Queda de avião no MS: pesquisadora alemã especialista em tamanduás é uma das vítimas

A pesquisadora e jornalista alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, considerada uma das maiores especialistas do mundo em tamanduá-bandeira, morreu na queda de um avião de pequeno porte na manhã desta sexta-feira (03), em Campo Grande (MS).  O piloto Henrique Martin também morreu no acidente.

Lydia Möcklinghoff, pesquisadora alemã especialista em tamanduás-bandeira — Foto: Redes sociais

Lydia Möcklinghoff, pesquisadora alemã especialista em tamanduás-bandeira — Foto: Redes sociais

A aeronave havia decolado do Aeroporto Santa Maria com destino ao Pantanal de Mato Grosso do Sul, onde Lydia desenvolvia pesquisas de campo. Segundo as primeiras informações, o piloto tentou realizar um pouso em uma pista privada após enfrentar baixa visibilidade provocada pela forte neblina que encobria a capital sul-mato-grossense.

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O avião, pertencente à empresa de táxi-aéreo Amapil, caiu poucos instantes após a decolagem. O acidente será investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Quem era Lydia Möcklinghoff

Nascida em 1981, na Alemanha, Lydia Möcklinghoff era zoóloga, ecóloga tropical, jornalista, escritora e divulgadora científica. Ela se tornou referência internacional pelos estudos sobre o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), espécie considerada vulnerável à extinção.

A cientista foi uma das primeiras pesquisadoras a acompanhar, durante anos, o comportamento de tamanduás-bandeira em seu habitat natural, realizando pesquisas contínuas no Pantanal de Mato Grosso do Sul desde o fim dos anos 2000.

Carreira dedicada à conservação

Lydia era mestre em Zoologia pela Universidade de Würzburg, na Alemanha, e desenvolvia doutorado em Zoologia pela Universidade de Bonn, com foco na conservação de mamíferos do Pantanal.

Ela integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, em Bonn, além da unidade de pesquisa em bioacústica computacional (CO.BRA).

Ao longo da carreira, dedicou-se ao estudo do comportamento, do uso do habitat e das principais ameaças enfrentadas pelos tamanduás-bandeira, contribuindo para projetos de conservação da fauna brasileira.

Atuação além da ciência

Além da pesquisa acadêmica, Lydia também atuava como jornalista científica, palestrante e autora de livros sobre biodiversidade. Frequentemente participava de documentários e programas de televisão voltados à preservação ambiental e à divulgação da riqueza da fauna do Pantanal.

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