A Polícia Civil concluiu que um acidente com uma criança, ocorrido três meses antes da morte de Maria Eduarda de Freitas, já havia revelado falhas graves na operação do grupo clandestino de “rope jump” em Limeira. Quatro pessoas seguem presas por homicídio com dolo eventual.

Criança sofreu acidente meses antes de Maria Eduarda (Foto: Reprodução / TV Globo)
Criança sofreu acidente meses antes de Maria Eduarda (Foto: Reprodução / TV Globo)

Três meses antes da morte da jovem Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, um acidente envolvendo um menino de nove anos já havia exposto falhas graves na operação do grupo clandestino de “rope jump” que atuava na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo.

Acidente criança Maria Eduarda Ponte do Esqueleto

(Foto: Reprodução / TV Globo)

Mesmo após o episódio, a atividade continuou no local e terminou em tragédia. Nesta semana, a Polícia Civil concluiu o inquérito e manteve quatro pessoas presas.

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Criança se acidentou em rope jump

O primeiro acidente ocorreu em março, quando uma falha no sistema de debreagem, mecanismo responsável por frear a corda durante o salto, quase matou uma criança. O menino saltou acompanhado de um integrante da equipe, que relatou o momento em depoimento.

“O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás, ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. E aí, eu não ouvi o garotinho gritar o ‘uhu’, que ele sempre gritava quando estava feliz. Comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele. Quando olhei para o lado, ele estava no chão”, contou o funcionário Luís Gustavo.

O pai da criança, que também integrava a equipe responsável pelos saltos, presenciou o acidente e prestou depoimento como testemunha. Apesar do ocorrido, as atividades seguiram normalmente na mesma estrutura.

Morte de Maria Eduarda

No dia 13 de junho, Maria Eduarda participou de um salto na Ponte do Esqueleto, mas foi lançada da plataforma sem estar presa à corda de segurança. A jovem chegou a ser socorrida, porém morreu em decorrência dos ferimentos provocados pela queda. Um vídeo gravado pelo celular da própria vítima confirmou que ela foi arremessada sem o equipamento de proteção devidamente conectado.

Com a conclusão das investigações, a Polícia Civil indiciou quatro integrantes do grupo “Entre Cordas” por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.

Permanecem presos Evelyne dos Santos, apontada como líder da equipe, além de Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, que aparecem nas imagens empurrando a jovem da ponte. Outras duas pessoas que haviam sido presas inicialmente tiveram a prisão revogada e responderão ao processo em liberdade.

Câmer do acidente na Ponte do Esqueleto

As investigações também apontaram uma tentativa de ocultação de provas após os acidentes. Segundo testemunhas, uma pessoa retirou a câmera utilizada por Maria Eduarda logo depois da queda. Em depoimento, Luís Gustavo afirmou que recebeu uma ordem direta da organizadora do grupo para recolher o equipamento.

“Ela falou: ‘Gustavinho, a gente precisa. Traz a câmera, a gente precisa dessa câmera, a gente precisa apagar o vídeo’. Essas foram as palavras”, declarou.

Fraude processual

Uma mensagem de áudio enviada por uma ex-funcionária revelou que a mesma orientação teria sido dada após o acidente envolvendo o menino de nove anos, em março. Por esse motivo, Evelyne também responderá pelo crime de fraude processual.

Durante os depoimentos, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff reconheceram que eram responsáveis por verificar se a corda estava corretamente presa ao corpo da vítima antes do salto. No entanto, ambos afirmaram não saber explicar por que essa checagem não foi realizada.

Grupo funcionava clandestinamente

No relatório final, a Polícia Civil concluiu que o grupo atuava com “significativa desorganização operacional”, destacando a ausência de isolamento adequado da área, a realização de diversos saltos em curto intervalo de tempo e falhas graves nos protocolos de segurança.

Segundo a investigação, o “Entre Cordas” funcionava clandestinamente havia mais de um ano, sem registro formal como empresa.

Após a morte de Maria Eduarda, a Ponte do Esqueleto, pertencente à antiga Rede Ferroviária Federal e atualmente sob responsabilidade da Secretaria do Patrimônio da União, teve os acessos bloqueados com cercas de arame farpado, placas de advertência, valas e barreiras de terra para impedir a entrada de visitantes e a realização de novos saltos.

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