Uma artesã de Recife denunciou ter sido envenenada durante mais de seis meses enquanto trabalhava em um projeto social no bairro de Santo Amaro, na região central da capital pernambucana. Segundo a vítima, exames confirmaram a presença de mercúrio em sua garrafa de água e também em seu organismo. Ela afirma que ficou com sequelas neurológicas e aguarda, há mais de um ano, a conclusão da investigação da Polícia Civil.

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Uma artesã de Recife denunciou ter sido envenenada durante mais de seis meses enquanto trabalhava em um projeto social no bairro de Santo Amaro, na região central da capital pernambucana.

Segundo a vítima, exames confirmaram a presença de mercúrio em sua garrafa de água e também em seu organismo. Ela afirma que ficou com sequelas neurológicas e aguarda, há mais de um ano, a conclusão da investigação da Polícia Civil.

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Denny Cardoso contou que decidiu gravar a rotina no local de trabalho após desconfiar do comportamento de uma das participantes das aulas de artesanato. As imagens registraram a mulher colocando uma substância dentro da garrafa de água da artesã em duas ocasiões, em junho de 2025.

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Vítima começou a desconfiar após sentir sintomas

Denny trabalhou por mais de dez anos no projeto Arte na Medicina, que oferecia aulas de artesanato para pacientes e familiares em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), conhecido como Castelinho.

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Segundo ela, a suspeita, identificada como Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, acompanhava o filho em tratamento na unidade e frequentava as atividades havia cerca de três anos.

A artesã afirmou que nunca entendeu o motivo da hostilidade da mulher, mas relatou que, no segundo semestre de 2024, começou a apresentar sintomas compatíveis com intoxicação, incluindo dores abdominais, rigidez muscular, dificuldade para caminhar e problemas para urinar.

Inicialmente, ela acreditava sofrer de fibromialgia e chegou a se afastar das atividades. Após retornar ao projeto, percebeu que a aluna se aproximava constantemente de sua garrafa de água e passou a desconfiar da situação.

“Senti uma bolinha na garganta”, relata artesã

Segundo Denny, a suspeita aumentou quando ela sentiu uma pequena esfera na garganta enquanto bebia água. “Um dia, indo lavar as mãos, avistei ela mexendo na minha garrafa. Achei estranho. Ela disfarçou, como se estivesse apenas mudando a garrafa de lugar. No dia 22 de maio do ano passado, fui tomar água e senti uma bolinha na garganta. Coloquei o dedo e retirei a bolinha, que levei para a delegacia”, contou.

Após registrar a ocorrência, a vítima comprou outra garrafa idêntica e decidiu instalar o celular escondido para gravar o ambiente. As imagens voltaram a registrar a suspeita despejando uma substância no recipiente.

Ao perceber a nova ação, Denny acionou a Polícia Militar. As duas mulheres foram encaminhadas para a Central de Plantões da Capital, no bairro de Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a suspeita negou ter colocado qualquer substância na bebida. Entretanto, policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela durante a abordagem.

Exames apontaram presença de mercúrio

Durante a investigação, exames toxicológicos apontaram concentração de mercúrio no organismo da artesã. Segundo a vítima, o laudo indicou 21 microgramas da substância por mililitro de sangue. A perícia também confirmou a presença de mercúrio na água contida na garrafa utilizada por Denny.

De acordo com a médica responsável pelo laudo toxicológico, a quantidade encontrada indica que a vítima teria ingerido o metal tóxico durante um período estimado entre oito meses e um ano.

“Ela colocava apenas uma gota. Eu bebia muita água e o mercúrio não tem gosto”, afirmou a artesã.

Artesã afirma conviver com sequelas

Mais de um ano após denunciar o caso, Denny afirma que ainda enfrenta consequências da intoxicação. Ela faz fisioterapia e acompanhamento médico devido às sequelas, incluindo dores abdominais, neuropatia, redução dos movimentos e uma compressão na medula.

“Estou com uma compressão na medula e neuropatia. Tenho os movimentos reduzidos. O mercúrio afetou minha coordenação motora quando atingiu meu cérebro”, relatou.

Segundo a vítima, a Polícia Civil solicitou um parecer de um neurocirurgião para confirmar a relação entre as alterações neurológicas e a intoxicação por mercúrio. No entanto, ela afirma que aguarda desde janeiro uma consulta pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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Defesa cobra atendimento e conclusão do inquérito

No dia 9 de junho, a defesa de Denny ingressou com uma ação na Vara da Fazenda Pública de Jaboatão dos Guararapes para obrigar o Estado de Pernambuco a garantir atendimento urgente com um neurocirurgião.

Segundo o advogado Wilgberto Reis, a ausência desse laudo também impede o avanço das investigações.

“O Estado respondeu apenas que ela permanece na fila para a consulta. Vamos pedir novamente uma decisão liminar, porque isso prejudica tanto a saúde da paciente quanto o andamento do inquérito”, afirmou.

O defensor também criticou a demora na investigação. “Ela denunciou o caso e continua vivendo com medo. É ela quem está cumprindo uma pena. Não anda direito, utiliza muletas, apresenta problemas cardíacos, vive ofegante e enfrenta diversas sequelas”, declarou.

Até a publicação desta reportagem, o inquérito instaurado pela Polícia Civil de Pernambuco ainda não havia sido concluído.

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