Após dez anos tentando autorização judicial, psicóloga colombiana com transtornos psiquiátricos graves morreu por eutanásia. Ela tinha depressão maior grave, borderline e ansiedade, com nove internações desde 2019.

Catalina Giraldo, de 30 anos (Foto: Reprodução)
Catalina Giraldo, de 30 anos (Foto: Reprodução)

A psicóloga colombiana Catalina Giraldo, de 30 anos, morreu na última quinta-feira (09) depois de se submeter à eutanásia, encerrando uma disputa judicial que se estendeu por mais de dez anos.

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(Foto: Freepik)

Ela convivia havia anos com Transtorno Depressivo Maior grave e persistente, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade — um conjunto de condições que, segundo relatos da própria psicóloga e de seu círculo próximo, se tornou cada vez mais incompatível com qualquer perspectiva de qualidade de vida.

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Uma rotina marcada por internações e crises

Desde 2019, Catalina precisou ser internada nove vezes em razão de crises agudas ligadas aos transtornos que enfrentava, além de ter protagonizado diversas tentativas de tirar a própria vida ao longo desse período.

O desgaste acumulado ao longo dos anos foi determinante para que ela decidisse buscar, formalmente, o direito de escolher o momento de sua morte.

O pedido inédito que não encontrou respaldo legal

Em um primeiro momento, Catalina recorreu ao sistema de saúde colombiano com um pedido pouco comum: autorização para o suicídio assistido por médicos, mecanismo que possibilita ao próprio paciente administrar, com acompanhamento profissional, a medicação que encerra sua vida, conforme sua vontade.

A solicitação, no entanto, esbarrou em um vácuo normativo — até hoje, a Colômbia não possui regulamentação específica para esse procedimento, mesmo depois de a Corte Constitucional do país tê-lo descriminalizado formalmente em maio de 2022, quando se tornou o primeiro país latino-americano a dar esse passo.

Colombiana solicitou eutanásia

Diante da impossibilidade de acessar o suicídio assistido, Catalina mudou de estratégia em setembro de 2025 e solicitou a eutanásia — mecanismo que, ao contrário do suicídio assistido, já é regulamentado no país desde 2015, quase duas décadas depois de a Corte Constitucional colombiana ter aberto caminho para a despenalização da prática, em uma decisão histórica de 1997.

O pedido foi apresentado à sua EPS, a entidade promotora de saúde responsável por assegurá-la e autorizar procedimentos médicos como esse, depois de conversas da psicóloga com médicos e familiares.

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Primeira negativa e o critério contestado pela defesa

A EPS de Catalina negou o pedido inicialmente, sob a justificativa de que ela não enquadrava em doença grave e incurável e de que ainda haveria tratamentos possíveis a serem tentados. Foi nesse ponto que o advogado Correa Montoya, que acompanhava o caso, passou a contestar publicamente o critério adotado pela entidade.

Segundo ele, esgotar completamente as alternativas terapêuticas não é uma exigência prevista pela legislação colombiana para a concessão da eutanásia — e, na prática, tratamentos alternativos dificilmente se esgotam de fato, já que sempre é possível cogitar uma nova substância, uma dosagem diferente ou uma combinação ainda não testada, o que tornaria o acesso ao procedimento indefinidamente postergável.

O caso que ganhou o país

A situação de Catalina saiu do âmbito estritamente jurídico e ganhou repercussão nacional em março, quando ela concedeu entrevista ao telejornal colombiano Noticias Caracol.

Na ocasião, relatou publicamente o cansaço acumulado de conviver diariamente com os efeitos dos transtornos psiquiátricos, resumindo o sentimento em uma frase que se tornaria símbolo de seu caso: “Para mim, já chega”.

*O suicídio pode ser prevenido. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la com ajuda médica. Conte também com o CVV pelo telefone 188.

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