Imagine caminhar por ruas onde o tempo parece ter parado. Escolas com livros sobre as carteiras, hospitais vazios, casas abandonadas e parques de diversão que nunca mais receberam visitantes.

Foto: Reprodução.
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Imagine caminhar por ruas onde o tempo parece ter parado. Escolas com livros sobre as carteiras, hospitais vazios, casas abandonadas e parques de diversão que nunca mais receberam visitantes.

 

Casas tomadas pela areia, parques de diversão abandonados e ruas sem moradores. Veja sete cidades-fantasma ao redor do mundo e descubra por que elas foram abandonadas. Foto: Reprodução.

Esses cenários existem e fazem parte das chamadas cidades-fantasma, locais que foram abandonados por seus moradores após guerras, acidentes, desastres naturais, crises econômicas ou o fim de atividades que sustentavam a população.

Espalhadas por diferentes continentes, essas cidades preservam vestígios de um passado que desperta curiosidade de turistas, historiadores e fotógrafos.

O interesse é tão grande que existe até um termo em inglês para esse tipo de turismo: ruin gazing, expressão usada para descrever a visita a ruínas e locais abandonados. Para especialistas, esses lugares funcionam como verdadeiras “cápsulas do tempo”, mantendo parte da história praticamente intacta.

Confira sete das cidades-fantasma mais conhecidas do planeta

Pripyat (Ucrânia): a cidade que parou no tempo após Chernobyl

Fundada em 1970 para abrigar funcionários da usina nuclear de Chernobyl, Pripyat chegou a ter cerca de 50 mil moradores. Tudo mudou em 26 de abril de 1986, quando ocorreu a explosão do reator número quatro da usina, considerado o maior acidente nuclear da história.

A evacuação começou cerca de 36 horas depois. Os moradores receberam a orientação de levar apenas documentos e alguns pertences, acreditando que voltariam poucos dias depois. Nunca retornaram.

Quase quatro décadas depois, escolas, apartamentos, hospitais, brinquedos e objetos pessoais permanecem espalhados pela cidade, que integra a zona de exclusão criada após o desastre. O local recebe visitas monitoradas em áreas autorizadas, embora ainda existam restrições por questões de segurança.

Hashima (Japão): uma ilha que já foi a mais povoada do mundo

Conhecida como Gunkanjima, ou “Ilha Navio de Guerra”, Hashima foi um importante centro de mineração de carvão.

Na década de 1950, mais de cinco mil pessoas viviam em uma área de apenas 6,3 hectares, tornando a ilha um dos lugares mais densamente povoados do planeta.

Prédios em ruínas, ruas vazias e uma história que atravessa gerações. Conheça Hashima, a ilha japonesa que já foi símbolo da mineração e hoje atrai turistas do mundo inteiro. Foto: Reprodução.

Com a substituição do carvão pelo petróleo, a mineração perdeu importância. Em 1974, a mina foi fechada e toda a população deixou a ilha.

Hoje, os prédios abandonados fazem de Hashima um dos principais destinos para quem gosta de conhecer lugares históricos. Em 2015, ela foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Centralia (Estados Unidos): uma cidade condenada por um incêndio subterrâneo

Centralia, no estado da Pensilvânia, tornou-se praticamente inabitável depois que um incêndio começou em uma mina de carvão subterrânea, em 1962.

O fogo se espalhou pelas galerias abaixo da cidade e nunca foi completamente controlado. Além da fumaça e da emissão de gases tóxicos, o solo passou a apresentar rachaduras e afundamentos, tornando a região perigosa.

Grande parte da população foi removida pelo governo norte-americano e diversas construções acabaram demolidas. Especialistas estimam que o incêndio ainda poderá continuar ativo por centenas de anos.

Kolmanskop (Namíbia): a cidade engolida pelas dunas

Kolmanskop surgiu no início do século XX após a descoberta de diamantes na Namíbia. A riqueza proporcionada pela mineração permitiu a construção de hospital, escola, cassino, teatro e diversas residências luxuosas.

Quando novas jazidas passaram a ser exploradas em outras regiões, a cidade perdeu importância econômica e foi sendo abandonada. Hoje, as dunas invadem as construções e criam um dos cenários mais fotografados da África.

Craco (Itália): um vilarejo medieval abandonado

Localizada sobre uma colina na região da Basilicata, Craco enfrentou séculos de guerras, epidemias e dificuldades econômicas.

Na década de 1960, deslizamentos de terra comprometeram boa parte das construções. Anos depois, um terremoto agravou a situação e acelerou o abandono da cidade.

Sem moradores, Craco passou a atrair turistas e equipes de cinema, servindo de cenário para diversas produções internacionais.

Sanzhi (Taiwan): o condomínio futurista que nunca ficou pronto

No fim dos anos 1970, Taiwan iniciou a construção de um condomínio de luxo formado por casas futuristas em formato de discos voadores.

O que era para ser um condomínio de luxo virou uma cidade-fantasma. Problemas financeiros interromperam as obras de Sanzhi, e uma série de acidentes alimentou lendas sobre uma suposta maldição. Foto: Reprodução.

O projeto enfrentou problemas financeiros antes de ser concluído. Uma série de acidentes durante as obras deu origem a lendas sobre uma suposta maldição envolvendo o local.

As estruturas permaneceram abandonadas durante décadas e chamaram a atenção de turistas e fotógrafos até serem demolidas no início da década de 2010.

Fordlândia (Brasil): o sonho de Henry Ford na Amazônia

O Brasil também abriga uma das cidades-fantasma mais conhecidas do mundo. Fordlândia foi criada em 1928 pelo empresário Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, às margens do rio Tapajós, no Pará.

O objetivo era produzir borracha para abastecer a indústria automobilística dos Estados Unidos. No entanto, o projeto enfrentou diversos obstáculos, como doenças que atingiram os seringais, dificuldades para adaptar as plantações ao clima amazônico, conflitos trabalhistas e, posteriormente, o crescimento da produção de borracha sintética.

Embora parte da população ainda viva na região, muitas construções permanecem preservadas, tornando Fordlândia um dos locais históricos mais curiosos da Amazônia.

Existem outras cidades-fantasma pelo mundo

As sete cidades citadas estão entre as mais conhecidas, mas não são as únicas. Outros exemplos famosos incluem Bodie, nos Estados Unidos, que surgiu durante a corrida do ouro; Pyramiden, antiga comunidade soviética localizada no arquipélago de Svalbard, na Noruega; Kayaköy, na Turquia, abandonada após a troca populacional entre gregos e turcos em 1923; Oradour-sur-Glane, na França, preservada como memorial após um massacre cometido durante a Segunda Guerra Mundial; e Rhyolite, nos Estados Unidos, que prosperou com a mineração e foi abandonada poucos anos depois.

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Por que cidades se tornam fantasmas?

Cada cidade possui uma história diferente, mas alguns fatores costumam explicar o abandono desses locais:

  • desastres naturais, como terremotos e deslizamentos;
  • acidentes industriais ou nucleares;
  • guerras e conflitos armados;
  • incêndios e contaminação ambiental;
  • esgotamento de recursos minerais;
  • crises econômicas;
  • mudanças tecnológicas que tornaram determinadas atividades inviáveis.

Atualmente, muitas dessas cidades recebem visitantes do mundo inteiro e ajudam a preservar parte da memória de acontecimentos que marcaram a história, mostrando como fatores econômicos, ambientais e sociais podem transformar completamente uma comunidade.

Algumas funcionam como museus a céu aberto, enquanto outras possuem acesso restrito por questões de segurança ou preservação histórica.

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