O Rio Grande do Sul enfrenta a maior enchente registrada no estado neste ano, enquanto especialistas alertam para a intensificação do fenômeno El Niño. Segundo o meteorologista Piter Scheuer, as chuvas extremas observadas nos últimos meses tendem a se tornar mais frequentes à medida que o fenômeno avança.

El Niño (Foto: reprodução)
El Niño (Foto: reprodução)

O Rio Grande do Sul volta a enfrentar um período de instabilidade climática marcado por fortes chuvas, alagamentos, aumento do nível dos rios e milhares de pessoas afetadas. Diante do cenário, especialistas alertam que esse tipo de evento pode se tornar mais recorrente nos próximos meses em razão da intensificação do fenômeno El Niño.

El Niño pode provocar chuvas mais intensas

El Niño pode provocar chuvas mais intensas (Foto: Reprodução/ Metsul Meteorologia)

Em entrevista ao ND Mais, o meteorologista Piter Scheuer explicou que as precipitações registradas recentemente já refletem a influência do fenômeno climático.

Segundo ele, a tendência é de que episódios de chuva intensa ocorram com maior frequência à medida que o El Niño avança e se aproxima de seu período de maior intensidade, previsto entre o fim do inverno e o começo do verão.

“Imagina tu ter 200, 300 milímetros no dia e depois de dois, três dias, ter isso de novo. Acaba trazendo alagamento, enxurrada, em tudo quanto é canto”, explicou o meteorologista.

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Meteorologista alerta

De acordo com o meteorologista Piter Scheuer, o Rio Grande do Sul enfrenta a maior enchente registrada no estado em 2026. O cenário é consequência das chuvas intensas que atingem diversas regiões desde a última terça-feira (21), agravadas pela atuação do fenômeno El Niño.

O especialista destaca que os impactos do El Niño já vinham sendo sentidos no território gaúcho desde maio, com episódios sucessivos de precipitações volumosas, e a expectativa é de que esses eventos se tornem ainda mais frequentes e intensos ao longo dos próximos meses.

Ao relembrar os episódios recentes, Scheuer afirmou que o estado já havia registrado acumulados expressivos de chuva entre o fim de maio e junho, especialmente nas regiões Norte e Noroeste, onde os volumes chegaram a variar entre 200 e 400 milímetros.

“O pior ainda está por vir. Setembro para frente vai ser o auge do El Niño. Final desse inverno, primavera, é o auge total desse super El Niño, que é o mais forte da história”, afirmou.

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NOAA reforça alerta para o avanço do El Niño

As previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reforçam o alerta para a evolução do El Niño nos próximos meses. De acordo com as estimativas do órgão, há uma probabilidade de 81% de que o fenômeno alcance intensidade considerada muito forte.

Caso esse cenário se concretize, a temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico poderá superar em mais de 3°C a média histórica. Esse patamar é associado aos episódios mais intensos do El Niño já registrados desde o início do monitoramento climático, em 1950.

NOAA aponta 81% de chance de o Super El Niño alcançar a categoria “muito forte”Foto: NOAA/Reprodução/ND Mais

NOAA aponta 81% de chance de o Super El Niño alcançar a categoria “muito forte” (Foto: NOAA)

As projeções da NOAA também indicam que a influência do fenômeno deve persistir por um longo período. Segundo o órgão, existe 97% de chance de o El Niño continuar afetando os padrões climáticos até o primeiro semestre de 2027, mantendo o risco de eventos extremos em diferentes regiões.

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