Um agricultor de Lérida, na Espanha, foi multado e segue investigado por cultivar ilegalmente cerca de 5 mil árvores da variedade de nectarina “nectadiva”, que possui patente e pertence a uma empresa francesa. O caso expõe o avanço da pirataria agrícola na Europa.
Um agricultor da região de Lérida, na Espanha, foi autuado e é investigado por produzir e vender, sem autorização, uma variedade patenteada de nectarina. A Guarda Civil descobriu aproximadamente cinco mil árvores da fruta cultivadas de forma irregular em três parcelas de terra na área de Segriá. A infração pode resultar em uma multa de até 288 mil euros, valor equivalente a quase R$ 1 milhão.
A investigação começou em fevereiro, após suspeitas de comércio ilegal de frutas protegidas. Para confirmar a fraude, as autoridades coletaram amostras das plantas e realizaram testes de DNA. O resultado comprovou que as árvores eram cópias idênticas da variedade “nectadiva”, pertencente à empresa francesa Agreo Selections Fruit, que detém os direitos exclusivos sobre ela.
Criar uma nova fruta exige anos de pesquisa científica, altos investimentos, que podem ultrapassar os R$ 10 milhões, e garante aos desenvolvedores proteção legal semelhante às patentes industriais. Durante um período de 25 a 30 anos, qualquer reprodução ou comercialização não autorizada é considerada crime. No caso investigado, o agricultor teria usado métodos de enxertia e inoculação para multiplicar as árvores ilegalmente.
Após prestar depoimento, ele foi liberado, mas o processo continua para determinar o total dos danos causados e a aplicação final da multa.
A nectadiva, centro da infração, é considerada uma fruta de alto valor por ser uma variedade tardia, amadurece depois das demais, mantendo a oferta de fruta fresca por mais tempo. Sua polpa amarela, suculenta e crocante, aliada à resistência a doenças e à durabilidade após a colheita, faz dela um produto premium no mercado europeu.
O caso reacende o debate sobre a pirataria agrícola e mostra como tecnologias desenvolvidas para melhorar qualidade, sabor e conservação das frutas são cada vez mais alvos de reprodução ilegal.
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