A PGR considerou que os atos ficaram no campo da retórica, sem efeitos práticos nos processos da Corte

Alexandre de Moraes e Carla Zambelli (Foto: André Richter/Agência Brasil/Michel Jesus/Câmara dos Deputados)
Alexandre de Moraes e Carla Zambelli (Foto: André Richter/Agência Brasil/Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu arquivar o inquérito que investigava a ex-deputada Carla Zambelli por suposta coação e tentativa de obstrução de Justiça. A decisão seguiu manifestação da Procuradoria-Geral da República, nesta quarta-feira (18).

A apuração analisava declarações e atitudes atribuídas à ex-parlamentar enquanto ela estava fora do país. No entendimento do procurador-geral Paulo Gonet, as falas não produziram efeitos concretos sobre os processos em andamento na Corte, permanecendo no campo discursivo.

STF encerra apuração

Entre os pontos considerados para o arquivamento está a situação jurídica de Zambelli no exterior, incluindo medidas relacionadas à sua detenção e à possibilidade de extradição a partir da Itália. Com isso, o STF encerra essa frente de investigação, sem aplicação de sanções no âmbito desse inquérito específico.

“Uma vez esgotadas as diligências complementares, não se vislumbram elementos aptos a embasar o início do processo penal, tampouco linha inquisitorial voltada à obtenção desses elementos. A manifestação é pelo arquivamento do feito, diante da insuficiência de evidências quanto à materialidade delitiva e em razão do exaurimento de hipótese investigatória idônea, sem prejuízo do disposto no art. 18 do Código de Processo Penal”, disse a PGR.

Carla Zambelli deixou o país após condenação

A ex-deputada Carla Zambelli saiu do Brasil em junho de 2025, poucos dias após ser condenada pela Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão. A sentença tratou de crimes ligados à invasão de sistemas e inserção de informações falsas em bases do Conselho Nacional de Justiça.

Naquele período, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de nova apuração depois que a ex-parlamentar declarou, em entrevistas, que buscaria apoio de autoridades de outros países para repercutir sua situação jurídica. As falas levantaram suspeitas de possível tentativa de interferência externa em processos conduzidos no Judiciário brasileiro, o que motivou o aprofundamento das investigações.

Na avaliação da Procuradoria-Geral da República, o cumprimento da prisão da ex-deputada Carla Zambelli, somado ao material reunido na investigação, indicou perda de força de qualquer possível prática criminosa relacionada ao caso.

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