A Corte de Apelação de Roma encerrou as audiências sobre a extradição de Carla Zambelli e deve decidir nos próximos dias. Presa na Itália desde julho de 2025, a ex-deputada foi condenada pelo STF por invadir os sistemas do CNJ e por outros crimes. O processo já havia sido adiado duas vezes. O Brasil pede o retorno da ex-parlamentar para cumprimento das penas.
A Corte de Apelação de Roma encerrou nesta quinta-feira (12) a fase de audiências no julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. O tribunal deverá agora se reunir para deliberar a sentença, que deve ser divulgada nos próximos dias.
A audiência sobre a extradição teve início na quarta-feira (11), mas a sessão foi suspensa após as manifestações do Ministério Público italiano e de um dos advogados da ex-parlamentar. Nesta quinta, o representante do governo brasileiro e mais um advogado de defesa prestaram depoimento aos juízes.
Zambelli está presa desde 29 de julho de 2025 na Itália, país no qual possui passaporte e para onde fugiu após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal. A então deputada deixou o Brasil dias antes de se esgotarem os últimos recursos contra a sentença de 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. O crime ocorreu em 2023 e, segundo as investigações, foi cometido a mando da ex-parlamentar.
O julgamento sobre a extradição, solicitada pelo Brasil por determinação do Supremo, chegou a ser adiado mais de uma vez pelo tribunal italiano, em dezembro e novamente em janeiro. Nas duas ocasiões, o juízo responsável entendeu ser necessário mais tempo para a análise de documentos apresentados pelas partes.
Na terça-feira (10), a Justiça italiana também negou um pedido da defesa para que os juízes responsáveis pelo caso fossem substituídos. Os advogados alegavam parcialidade dos magistrados, mas o requerimento foi rejeitado.
Condenação de Zambelli
Desde que deixou o país, Zambelli foi condenada novamente pelo Supremo, desta vez pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio ocorreu em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições, quando, armada, ela perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo.
Em razão das condenações, a ex-deputada teve o mandato cassado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. A medida foi determinada pelo Supremo mesmo após o plenário da Casa ter aprovado a manutenção do mandato. Prevaleceu o entendimento de que uma pena em regime inicial fechado é incompatível com o exercício do mandato parlamentar.
Ao requerer a extradição, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos, afirmou que o presídio brasileiro onde as penas deverão ser cumpridas mantém padrões de salubridade, segurança e assistência às detentas, além de oferecer atendimento médico e cursos técnicos. Segundo ele, a unidade também não registra histórico de rebeliões.
