O governo dos Estados Unidos recuou oficialmente da acusação de que Nicolás Maduro chefiava o chamado Cartel de Los Soles, grupo supostamente ligado ao narcotráfico na Venezuela. A mudança consta em uma versão reescrita da denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça norte-americano após a captura do ex-presidente venezuelano, no último sábado (3), durante uma operação militar em Caracas.
O governo dos Estados Unidos recuou oficialmente da acusação de que Nicolás Maduro chefiava o chamado Cartel de Los Soles, grupo supostamente ligado ao narcotráfico na Venezuela. A mudança consta em uma versão reescrita da denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça norte-americano após a captura do ex-presidente venezuelano, no último sábado (3), durante uma operação militar em Caracas.
Segundo análise publicada pelo jornal The New York Times, o novo documento abandona a narrativa usada desde 2020, quando Maduro era apontado como líder de uma “organização terrorista narcotraficante”. Agora, o ex-presidente passa a ser acusado de participar e proteger uma “cultura de corrupção” que permitiria o enriquecimento de elites venezuelanas por meio do tráfico de drogas, sem atribuir a ele a chefia direta de um cartel estruturado.
Apesar da revisão jurídica, a Casa Branca manteve, nos dias que antecederam a operação militar, o discurso público de que Maduro comandava o Cartel de Los Soles — argumento usado para justificar a escalada de tensões entre Washington e Caracas ao longo de 2025.
No novo texto, o Departamento de Justiça menciona o Cartel de Los Soles apenas duas vezes e redefine o termo como uma expressão genérica que se refere a redes de narcotráfico ligadas a setores civis e militares da elite venezuelana, e não mais como uma organização centralizada com comando único.
“O réu Nicolás Maduro Moros — assim como o ex-presidente Hugo Chávez — participa, perpetua e protege um sistema de corrupção no qual autoridades poderosas se beneficiam do tráfico de drogas”, afirma o documento. Segundo o órgão, os lucros da atividade ilegal seriam distribuídos entre oficiais civis, militares e agentes de inteligência, dentro de um sistema de clientelismo sustentado pelas lideranças do regime.
Especialistas questionam existência do Cartel de Los Soles
Especialistas já vinham questionando a existência do Cartel de Los Soles como uma organização formal. Analistas apontam que o grupo funcionaria como uma “rede de redes”, sem hierarquia definida, reunindo atores de diferentes patentes militares e posições políticas, o que dificulta sua caracterização como um cartel tradicional.
De acordo com Jeremy McDermott, cofundador do centro de estudos InSight Crime, Maduro não seria necessariamente o líder do esquema, mas um dos principais beneficiários de um modelo de “governança criminal híbrida”. Nesse sistema, concessões e proteções seriam distribuídas a aliados militares em troca de apoio político e permanência no poder.
A reinterpretação da acusação ocorre em meio a forte repercussão internacional da operação norte-americana na Venezuela, considerada inédita na América Latina nas últimas décadas e alvo de críticas de diversos países e organismos multilaterais.
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