Cerca de 100 motociclistas protestaram nesta quarta-feira (29) contra as mais de 120 mortes na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha. O grupo saiu da Penha e seguiu até o Palácio Guanabara escoltado pela PM. A ação, considerada a mais letal da história do Rio, deixou 121 mortos, sendo 4 policiais e 117 suspeitos. Moradores relataram ter encontrado 74 corpos em uma área de mata, enquanto o governo defendeu o resultado da operação.

Após megaoperação no Rio, motociclistas fazem protesto pelos mortos
Após megaoperação no Rio, motociclistas fazem protesto pelos mortos

Cerca de 100 motociclistas realizaram um protesto, na tarde desta quarta-feira (29), contra as mais de 120 mortes registradas durante a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O grupo saiu da Praça São Lucas, na Penha, ponto onde moradores deixaram dezenas de corpos encontrados em uma área de mata, e seguiu pela Avenida Brasil em direção ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, em Laranjeiras, na Zona Sul. Os manifestantes foram escoltados por agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

A operação, que mobilizou 2,5 mil policiais civis e militares, é considerada a mais letal da história do estado. Segundo o balanço do governo do Rio, foram 121 mortos, sendo 4 policiais e 117 suspeitos. Moradores, no entanto, afirmam ter encontrado 74 corpos na Serra da Misericórdia, área de mata que foi palco dos confrontos.

Durante coletiva, o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, informou que 63 corpos foram localizados na mata e que será feita perícia para confirmar a relação com a operação. Já o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, classificou o “dano colateral” como “muito pequeno”, dizendo que apenas quatro civis inocentes morreram na ação.

O governador Cláudio Castro (PL-RJ), por sua vez, afirmou que considera a operação um “sucesso” e que apenas os quatro policiais mortos são “vítimas”. Ele não comentou os corpos encontrados pelos moradores e justificou que os números oficiais só são contabilizados após a entrada no IML.

A megaoperação, que tinha como alvo lideranças do Comando Vermelho, resultou também na prisão de 113 pessoas, sendo 33 de outros estados, e na apreensão de armas e drogas.

O protesto desta quarta-feira reforça o clima de tensão e indignação nas comunidades. “Em 36 anos de favela, nunca vi nada parecido. É brutal e violento num nível desconhecido”, afirmou o ativista Raull Santiago, que ajudou a retirar corpos da mata para facilitar o reconhecimento por familiares.

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