Especialistas alertam que o uso de canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, pode provocar boca seca, aumento da acidez e risco de erosão dental. O Conselho Federal de Odontologia recomenda acompanhamento com dentista e destaca que a prevenção é essencial para reduzir danos à saúde bucal.
Medicamentos como Ozempic e Wegovy, à base de semaglutida, foram criados para o tratamento do diabetes tipo 2, mas passaram a ser amplamente utilizados para emagrecimento e controle da obesidade. Com o aumento do uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, especialistas em odontologia alertam para possíveis impactos na saúde bucal.
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os Conselhos Regionais reforçam a necessidade de acompanhamento profissional. “É importante esclarecer que o uso do medicamento à base de semaglutida, por si só, não é determinante para o surgimento de problemas na cavidade oral. Isso vai depender de uma série de fatores, que podem incluir características fisiológicas ou comportamentais do paciente”, afirma o conselheiro federal do CFO, Glaucio de Moraes e Silva.
Segundo ele, o fundamental é que os pacientes conheçam os riscos e adotem medidas preventivas. “Ao fazer uso dessas drogas, a população precisa entender os riscos e tomar os cuidados necessários”, completa.
Entre os efeitos colaterais mais frequentes está a xerostomia, conhecida como boca seca. A condição reduz a produção de saliva, que tem papel essencial na proteção da cavidade oral.
O professor Celso Oliveira de Sousa explica que esse quadro pode favorecer o surgimento de outros problemas.
“A sensação de boca seca, em decorrência da hipossalivação, é um dos efeitos adversos mais relatados. A redução do fluxo salivar pode causar, por exemplo, quadros de halitose e aumentar o risco de cárie”, destaca.
Além disso, efeitos gastrointestinais como náusea, vômito, indigestão e refluxo também preocupam os especialistas. Para o professor Eduardo Sampaio, esses sintomas têm impacto direto nos dentes. “O perigo à saúde bucal está diretamente relacionado à acidez aumentada que esses efeitos gastrointestinais podem causar na cavidade bucal, levando a quadros de erosão dental”, afirma. Ele acrescenta: “Se somarmos o aumento da acidez da boca com a diminuição do fluxo salivar, teremos uma condição propícia para um deterioramento da saúde bucal em curto período”.
No caso do Wegovy, a bula aponta a disgeusia, alteração no paladar, como efeito adverso comum, especialmente durante o período de ajuste de dose. Já o Mounjaro, que tem como princípio ativo a tirzepatida, também apresenta o vômito como reação frequente e, em menor proporção, alterações no paladar.
Diante desse cenário, os especialistas defendem a avaliação odontológica antes e durante o uso das medicações. “O ideal é que o paciente faça um exame odontológico prévio, para identificar fatores de risco e receber orientações de higiene oral personalizadas”, explica Eduardo Sampaio. Ele também recomenda cuidados específicos em caso de efeitos adversos, como o uso de saliva artificial e a orientação de enxaguar a boca, em vez de escovar os dentes, após episódios de vômito.
Celso Oliveira reforça a importância da prevenção contínua. “São indicadas práticas de controle de biofilme, o uso de escovas macias, dentifrícios fluoretados e o manejo da hipossalivação, principalmente naqueles que utilizam o medicamento para emagrecimento”, afirma.
Por fim, Glaucio de Moraes e Silva lembra que o uso dessas medicações para perda de peso é relativamente recente.
“Ainda temos poucos subsídios clínicos sobre os impactos de longo prazo na cavidade bucal. Por isso, é muito importante que o paciente seja acompanhado por um profissional da Odontologia, que fará um atendimento preventivo e buscará minimizar os efeitos adversos”, conclui.
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