A investigação sobre a morte do empresário Adalberto Amarílio Júnior, encontrado em um buraco no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, segue sem solução nove meses após o crime. Nesta quinta-feira (26), a Polícia Civil realizou novas diligências, com apreensão de celulares e oitiva de testemunhas. Apesar dos avanços, ninguém foi preso até o momento, e o caso continua cercado de dúvidas.

Foto: Reprodução
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Nove meses após a morte do empresário Adalberto Amarílio Júnior, de 35 anos, a Polícia Civil de São Paulo segue tentando esclarecer as circunstâncias do crime, que ocorreu dentro do Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital.

Nesta quinta-feira (26), agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) cumpriram novos mandados de busca e apreensão, recolheram celulares para perícia e ouviram testemunhas. Apesar das diligências recentes, ninguém foi preso até agora.

Relembre o caso

Adalberto desapareceu no dia 30 de maio de 2025, após participar de um festival de motociclismo realizado no autódromo. O corpo foi encontrado três dias depois, em 3 de junho, em uma área em obras dentro do complexo.

Ele estava em um buraco de aproximadamente três metros de profundidade e 70 centímetros de diâmetro. Sobre o corpo, havia o capacete da vítima, mas a câmera que ele utilizava para registrar imagens do evento não foi localizada.

O empresário foi encontrado vestindo jaqueta, camiseta e cueca, sem calça e sem tênis, o que levantou ainda mais suspeitas sobre as circunstâncias do crime.

O que apontam as investigações

De acordo com a Polícia Técnico-Científica, a causa da morte foi asfixia. Ainda não há confirmação se ela ocorreu por esganadura, já que havia marcas no pescoço, ou por compressão torácica.

A principal linha de investigação indica que Adalberto pode ter se envolvido em uma discussão após acessar uma área restrita do kartódromo. A suspeita é que ele tenha brigado com um segurança e sido morto na sequência.

No entanto, a polícia não descarta a participação de outras pessoas, especialmente porque o evento reuniu milhares de frequentadores no dia do desaparecimento.

Análise de celulares pode ser decisiva

Uma das principais apostas da investigação está na análise de dados extraídos de aparelhos eletrônicos. Um software israelense, o Cellebrite, está sendo utilizado para acessar informações de pelo menos 15 celulares e três computadores.

Os dispositivos pertencem à vítima, a um amigo, a seguranças e a produtores do evento. Segundo a polícia, a apreensão não significa que os donos sejam suspeitos, mas sim uma tentativa de identificar possíveis pistas sobre o crime.

Empresas de segurança na mira

A atuação das empresas responsáveis pela segurança do evento também é analisada. A Malbork Serviços de Vigilância informou ter disponibilizado 13 seguranças para o autódromo no dia do evento.

Já a empresa ESC Fonseccas Segurança Eirelli declarou ter empregado 188 profissionais. No entanto, inconsistências na lista de funcionários levantaram suspeitas e levaram a novas buscas autorizadas pela Justiça.

Durante as diligências, um segurança praticante de jiu-jítsu foi detido por posse irregular de munições. Ele pagou fiança e responde ao processo em liberdade. Até o momento, não há comprovação de envolvimento dele na morte do empresário.

Investigação sem imagens do crime

Até agora, não há registros em vídeo que mostrem o momento do crime. As imagens analisadas pela polícia mostram apenas Adalberto circulando pelo evento e passando pelo estacionamento do kartódromo, onde havia deixado o carro.

Testemunhas, incluindo familiares, amigos e representantes das empresas envolvidas, já foram ouvidas. O inquérito principal tem cerca de 300 páginas, além de outros dois procedimentos paralelos.

Caso segue sem solução

Apesar dos avanços nas investigações, a polícia ainda não conseguiu identificar quem matou o empresário nem em quais circunstâncias exatas o crime ocorreu.

O caso continua sendo acompanhado pelo Ministério Público, enquanto investigadores buscam novas provas que possam esclarecer o assassinato de Adalberto.

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