Os casos de câncer no mundo devem aumentar de forma expressiva nas próximas décadas. Segundo um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de novos diagnósticos pode passar dos atuais 20,6 milhões para cerca de 35 milhões por ano até 2050, um crescimento de aproximadamente 70%.
Os casos de câncer no mundo devem aumentar de forma expressiva nas próximas décadas. Segundo um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de novos diagnósticos pode passar dos atuais 20,6 milhões para cerca de 35 milhões por ano até 2050, um crescimento de aproximadamente 70%.

O estudo, elaborado em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), também alerta que 92% da população mundial será impactada pela doença, seja por receber um diagnóstico ou por conviver com um familiar ou pessoa próxima em tratamento oncológico.
Atualmente, o câncer já é a segunda principal causa de morte no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares. A doença provoca cerca de 10 milhões de mortes por ano, o equivalente a aproximadamente 26 mil óbitos por dia.
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OMS alerta para crise global
No relatório, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o câncer representa uma crise global em evolução. Segundo ele, embora programas de vacinação contra o HPV e políticas de controle do tabagismo tenham reduzido parte dos casos, o acesso aos avanços da medicina continua desigual entre os países.
“Os dados apresentados neste relatório deixam claro que o câncer é uma crise global em evolução. Em todos os tipos de câncer e em todas as etapas da linha de cuidado oncológico, o progresso continua sendo distribuído de forma desigual e profundamente injusta.”
Desigualdade preocupa especialistas
O levantamento mostra diferenças significativas entre países ricos e pobres. No câncer de mama, por exemplo, mais de 85% das mulheres diagnosticadas em países de alta renda sobrevivem por pelo menos cinco anos. Em diversos países de baixa renda, esse índice fica abaixo de 30%.
Outro dado preocupante é que menos de um terço dos países oferece tratamento oncológico como parte da cobertura básica de saúde. Na maior parte do mundo, pacientes dependem de planos privados ou precisam arcar com os custos do próprio bolso.
Além disso, cerca de 45% das pessoas com câncer enfrentam dificuldades financeiras durante o tratamento. O relatório também aponta impactos psicológicos importantes tanto para pacientes quanto para familiares e cuidadores.
Quase 40% dos casos podem ser evitados
A OMS destaca que aproximadamente quatro em cada dez casos de câncer estão relacionados a fatores de risco evitáveis.
Entre eles estão:
- tabagismo;
- consumo de álcool;
- obesidade;
- sedentarismo;
- alimentação inadequada;
- infecções causadas pelo HPV e pelas hepatites B e C;
- poluição do ar.
A entidade ressalta que políticas públicas voltadas à prevenção continuam sendo uma das formas mais eficazes para reduzir novos casos da doença.
Tabagismo diminui, mas obesidade cresce
O relatório traz uma notícia positiva em relação ao consumo de tabaco. Segundo a OMS, a prevalência global de fumantes caiu de 29,4% da população adulta em 2005 para 19,5% em 2024. Entre os homens, o índice passou de 45% para 32,5%, enquanto entre as mulheres caiu de 13% para 6,6%. Por outro lado, especialistas alertam que o aumento da obesidade, do sedentarismo e da expectativa de vida contribui para o crescimento contínuo dos casos de câncer.
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Câncer de pulmão lidera mortes
O câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer no mundo. Entre os homens, os tumores mais frequentes são os de pulmão, próstata e colorretal. Já entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, pulmão e colorretal.
O relatório também chama atenção para o câncer infantil. Em países de baixa renda, a disponibilidade de medicamentos essenciais para crianças varia entre 9% e 54%, enquanto nas nações de alta renda esse percentual chega a até 94%.
Especialistas destacam que, apesar da previsão de aumento nos diagnósticos, os avanços em exames, medicamentos e tratamentos podem impedir que a mortalidade cresça no mesmo ritmo, desde que esses recursos sejam disponibilizados de forma mais igualitária.
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