A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista repercutiu além das fronteiras brasileiras e ocupou espaço em veículos da imprensa estrangeira nesta quinta-feira (11).
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista repercutiu além das fronteiras brasileiras e ocupou espaço em veículos da imprensa estrangeira nesta quinta-feira (11).
Bolsonaro foi considerado culpado por cinco crimes: organização criminosa, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado por violência e grave ameaça (exceto para Alexandre Ramagem) e deterioração de patrimônio tombado (também com exceção de Ramagem). O voto que consolidou a maioria veio da ministra Cármen Lúcia.
A agência Reuters ressaltou que Bolsonaro é o primeiro ex-presidente brasileiro condenado por atentar contra a democracia, apontando que o processo envolve a acusação de ter articulado um golpe para se manter no poder após a derrota eleitoral de 2022.
O jornal britânico The Guardian afirmou que o ex-chefe do Executivo poderá enfrentar “décadas de prisão” por liderar uma conspiração golpista. A publicação destacou o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia, que criticou a tentativa de “plantar a semente maligna da antidemocracia”, além de lembrar a divergência de Luiz Fux, que defendeu a absolvição do ex-presidente.
Nos Estados Unidos, o The Washington Post relembrou que ainda falta a conclusão do voto do ministro Cristiano Zanin, mas frisou que a tendência já é de condenação. O jornal mencionou que os advogados de Bolsonaro pretendem recorrer ao plenário do STF e que o ex-presidente não compareceu ao julgamento.
O Wall Street Journal, também americano, destacou que a decisão pode acirrar a disputa política entre Lula e Donald Trump, apontando que Bolsonaro, de 70 anos, enfrenta uma “queda dramática” após ter chegado ao poder em 2018 com discurso de lei e ordem. O jornal também relembrou medidas retaliatórias de Trump contra o Brasil em defesa de seu aliado.
A agência Bloomberg classificou o caso como histórico e lembrou que Bolsonaro acusa o STF de perseguição política. O texto ainda citou a possibilidade de o Congresso discutir uma anistia, embora reconheça que a proposta encontra resistência no Senado.
Já a revista The Economist destacou a ironia de uma fala de Bolsonaro em 2022, quando disse que jamais seria preso caso perdesse as eleições. Segundo a publicação, o julgamento demonstrou o contrário. O veículo ressaltou ainda que a condenação remete ao histórico de golpes de Estado no Brasil, comparando o episódio à ditadura militar instaurada em 1964.
O espanhol El País considerou o julgamento “o mais importante do Brasil nos últimos anos” e avaliou que o país deu “um passo relevante contra a impunidade”. A reportagem enfatizou que a decisão ocorreu mesmo sob pressão externa, inclusive de Donald Trump, e lembrou que o voto que consolidou a maioria foi dado pela única mulher da Corte.
A BBC, por sua vez, também repercutiu o julgamento, destacando o simbolismo da condenação de Bolsonaro e a expectativa para a definição das penas, que deve ocorrer nesta sexta-feira (12).
