Condenado pela morte da advogada Mércia Nakashima, o ex-PM Mizael Bispo lançou um livro em que volta a negar participação no crime ocorrido em 2010. Na obra, ele critica a investigação, o Ministério Público e a imprensa, além de afirmar que “o verdadeiro autor” nunca foi encontrado. O caso voltou a repercutir 16 anos após o assassinato.

Mércia Nakashima foi morta pelo ex-namorado Mizael Bispo, segundo o MP — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Mércia Nakashima foi morta pelo ex-namorado Mizael Bispo, segundo o MP — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Condenado pela morte da advogada Mércia Nakashima, o ex-policial militar e ex-advogado Mizael Bispo de Souza lançou recentemente um livro em que volta a negar ter participado do assassinato da ex-namorada. O crime, que teve grande repercussão nacional, completou 16 anos no último sábado (23).

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Mizael Bispo lança livro falando sobre o tempo de prisão e o assassinato de Mércia Nakashima. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mizael Bispo lança livro falando sobre o tempo de prisão e o assassinato de Mércia Nakashima. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na obra intitulada “Na Cova dos Leões – Uma história de luta, sofrimento, dor e injustiça! Nada está perdido”, Mizael afirma que foi injustamente condenado e sustenta que o verdadeiro responsável pela morte nunca foi investigado.

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“Não foram atrás do autor do crime”, escreveu em um dos trechos do livro.

Livro foi escrito durante prisão

A publicação tem cerca de 140 páginas, foi escrita durante o período em que Mizael esteve preso e é vendida apenas em formato digital na Amazon, por R$ 16.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-PM afirmou que a obra relata “a verdade” sobre os bastidores do caso.

“É uma história real e sem ficção. Tenho certeza que vocês irão adorar dessa história sem manipulação e sem cortes”, declarou.

O advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior, afirmou que supervisionou a produção do livro e comparou o cliente ao personagem bíblico Daniel: “O título foi inspirado em Daniel na cova dos leões, que foi jogado para morrer sem prova nenhuma”, disse.

Mizael volta a questionar investigação

Ao longo da obra, Mizael altera nomes de personagens ligados ao caso, mas volta a atacar a investigação conduzida pela polícia, o Ministério Público e a cobertura da imprensa.

No livro, Mércia é chamada de “Márcia”, enquanto o irmão dela, Márcio Nakashima, aparece como “Marcos”. O delegado Antônio de Olim surge como “doutor Roolim”, e o promotor Rodrigo Merli recebe outro nome.

O ex-policial ainda levanta suspeitas sobre outras pessoas próximas da vítima e afirma que possíveis suspeitos não foram investigados pelo Departamento de Homicídios.

“Enquanto isso, o verdadeiro autor do crime estava ‘de boa’ por aí, dando risadas das trapalhadas da polícia”, escreveu.

Ele também afirma ter sido vítima de perseguição: “Nunca matei ninguém em minha vida, quiçá uma pessoa que eu tanto amei”, declarou.

Crime teve repercussão nacional

Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio de 2010 após sair da casa da avó, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O carro dela foi encontrado semanas depois submerso em uma represa em Nazaré Paulista, no interior paulista. O corpo foi localizado no dia seguinte.

Segundo a investigação da Polícia Civil, Mizael atraiu a ex-namorada até o local, atirou nela e lançou o veículo na represa. O motivo seria a não aceitação do fim do relacionamento.

Uma alga encontrada no sapato de Mizael foi considerada peça-chave para colocá-lo na cena do crime.

Preso em 2012 após ficar foragido, ele foi condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Em 2017, a pena aumentou para mais de 22 anos. Desde 2023, ele cumpre o restante da pena em regime aberto.

Autoridades reagem ao lançamento

O lançamento do livro reacendeu discussões sobre um dos casos criminais mais emblemáticos do país.

O promotor Rodrigo Merli Antunes criticou a publicação e afirmou que Mizael poderá responder judicialmente caso cometa excessos.

“Que ele publique o que quiser. Mas que não reclame depois de ser eventualmente processado por calúnia e difamação”, afirmou.

Já o delegado Antônio de Olim rebateu as alegações do condenado: “Ele é um belo mentiroso. Hoje ele entraria no feminicídio e a pena seria ainda maior”, declarou.

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