Contas de MC Ryan SP e Chrys Dias foram retiradas do Instagram após prisão em operação da PF. Investigação aponta esquema bilionário com uso de artistas, apostas ilegais e criptomoedas.

MC Ryan SP e Chrys Dias, presos por lavagem bilionária de dinheiro, tem contas derrubadas no Instagram — Foto: Reprodução: Instagram
MC Ryan SP e Chrys Dias, presos por lavagem bilionária de dinheiro, tem contas derrubadas no Instagram — Foto: Reprodução: Instagram

As contas no Instagram do funkeiro MC Ryan SP e do influenciador Chrys Dias foram tiradas do ar após a prisão dos dois na operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira (15).

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Carros apreendidos em operação da PF contra organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão (Foto: Divulgação/PF)

Ao acessar os perfis, usuários passaram a visualizar mensagens como “esta página não está disponível”, na versão para navegador, e “usuário não encontrado”, no aplicativo de celular.

A ação faz parte da Operação Narco Fluxo, que também resultou nas prisões de MC Poze do Rodo e do influenciador Raphael Sousa Oliveira.

Esquema bilionário

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado movimentou mais de R$ 1,6 bilhão nos últimos 24 meses por meio de um esquema estruturado de lavagem de dinheiro.

A organização utilizava empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento para misturar receitas legais com valores provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

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De acordo com a investigação, MC Ryan SP foi identificado como líder e principal beneficiário econômico da estrutura.

Uso de influenciadores e artistas

A PF aponta que a escolha de artistas e influenciadores era estratégica para o funcionamento do esquema.

“Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance”, afirmou o delegado Marcelo Maceiras.

Segundo ele, o dinheiro ilícito era repassado como pagamento por publicidade, permitindo que os envolvidos incorporassem os valores ao patrimônio e exibissem um padrão de vida elevado nas redes sociais.

Como o dinheiro era lavado

As investigações indicam que o grupo utilizava processadoras de pagamento, contas de passagem e “laranjas” para fragmentar e dispersar os recursos.

Uma das técnicas identificadas foi o chamado “smurfing”, com centenas de transferências fracionadas para dificultar o rastreamento.

Além disso, havia uso de criptomoedas, especialmente a USDT (Tether), para envio de valores ao exterior e ocultação de patrimônio.

Ligação com o crime organizado

Embora o esquema fosse apresentado como apostas e rifas, a Polícia Federal sustenta que há ligação com o crime organizado.

“Quando a gente fala em dinheiro do tráfico de drogas, fatalmente vamos chegar a facções criminosas”, afirmou o delegado.

A investigação aponta que parte dos recursos tem origem no tráfico internacional de drogas.

Estrutura da organização

Segundo a PF, cada integrante desempenhava um papel específico dentro do esquema.

MC Poze do Rodo aparece vinculado a empresas relacionadas à circulação de recursos, enquanto Raphael Sousa Oliveira, da Choquei, teria atuado como operador de mídia, promovendo conteúdos e plataformas ligadas ao grupo.

A operação mobilizou mais de 200 policiais federais, que cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em diversos estados.

Durante as diligências, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos e até um fuzil.

Defesas se manifestam

Em nota, a defesa de MC Poze do Rodo afirmou que ainda não teve acesso ao teor do mandado de prisão e que irá se manifestar após análise.

Já os advogados da GR6, ligada ao empresário Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, sustentam que todas as transações são lícitas e devidamente documentadas.

Investigação continua

A Operação Narco Fluxo é um desdobramento de investigações iniciadas em 2023, após a apreensão de drogas em um veleiro, e que evoluíram para outras fases ao longo de 2025.

A Polícia Federal informou que o caso segue em andamento e não descarta novas fases da operação.

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