O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto falou publicamente pela primeira vez sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal, no bairro do Brás, na região central de São Paulo.
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto falou publicamente pela primeira vez sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal, no bairro do Brás, na região central de São Paulo.
Em entrevista exibida no último domingo (15) pelo programa Domingo Espetacular, o oficial negou as acusações de que seria responsável pela morte da companheira.
Durante a entrevista, o tenente-coronel também foi questionado sobre um vídeo em que aparece chorando com uma arma encostada na cabeça. A família de Gisele afirma que o registro teria sido enviado por ele à policial como forma de chantagem, caso ela decidisse se separar.
O militar, no entanto, nega ter enviado o vídeo e afirma que as imagens teriam sido manipuladas com o uso de inteligência artificial.
“Eu não mandei, só a inteligência artificial. Não é o senhor aqui? Sou eu, mas eu não estou com arma e também não estou chorando e jamais teria uma arma na cabeça. Essa arma na cabeça, com certeza, foi colocada através do uso de inteligência artificial”, declarou.
Para analisar o conteúdo, dois especialistas em inteligência artificial foram consultados. Após examinar as imagens, um deles concluiu que há 90% de probabilidade de o vídeo ser autêntico. Já o outro afirmou não ter identificado rastros comuns deixados por ferramentas de IA e apontou 98% de chance de que o vídeo seja real.
Investigação como feminicídio
A Justiça de São Paulo determinou que o caso passe a ser investigado como feminicídio. Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como suicídio, mas a versão passou a ser contestada pela família da vítima e por novos elementos surgidos na investigação.
Com a mudança na tipificação, o marido da policial passou a ser formalmente investigado. O crime de feminicídio pode resultar em pena de 20 a 40 anos de prisão.
Exumação apontou possível esganadura
Um dos principais fatores que reforçaram as suspeitas foi o laudo necroscópico realizado após a exumação do corpo da vítima.
O exame apontou lesões no rosto e no pescoço de Gisele. Segundo os peritos, as marcas são compatíveis com pressão digital e escoriações semelhantes a arranhões de unha, o que levanta a hipótese de que a policial possa ter sido esganada ou pressionada no pescoço antes do disparo.
A exumação foi realizada em 6 de março no Instituto Médico Legal de São Paulo como parte das novas diligências do caso.