O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto falou publicamente pela primeira vez sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto falou publicamente pela primeira vez sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
Em entrevista à Record TV nesta terça-feira (11), o oficial se pronunciou após passar a ser investigado no caso, que agora é tratado pela Justiça como feminicídio. Durante a conversa, ele negou qualquer envolvimento no crime e reiterou a versão de que a esposa teria tirado a própria vida.
Versão do disparo
Segundo o tenente-coronel, ele estava tomando banho no momento em que a esposa teria efetuado o disparo contra a própria cabeça. Ao sair do banheiro e encontrar Gisele caída no chão, com sangramento, afirmou que não prestou socorro direto por não possuir os equipamentos necessários.
Apesar de ter treinamento técnico pela corporação, ele disse que optou por acionar o resgate. Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram chamadas ao local.
O oficial também negou ter alterado a cena ou tocado no corpo da vítima.

Tenente-coronel fala pela primeira vez após virar investigado pela morte de PM (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Segundo banho após passar mal
Durante a entrevista, Neto afirmou que passou mal enquanto a esposa era atendida pelos socorristas. Segundo ele, um médico que estava no local teria medido sua pressão arterial em 20 por 18, alertando para risco de infarto ou acidente vascular cerebral.
De acordo com o relato, ele precisou tomar dois medicamentos e, em seguida, decidiu tomar um segundo banho.
A versão diverge de depoimentos presentes no inquérito policial. Policiais que atenderam a ocorrência afirmaram que recomendaram que o oficial não tomasse banho e seguisse diretamente para a delegacia para prestar esclarecimentos.
O tenente-coronel, no entanto, disse que não recebeu essa orientação. Ele também declarou que não ficou sujo de sangue, mas decidiu se lavar por causa do abalo emocional.
Banheiro seco
A defesa do oficial sustenta que ele estava no banho quando o disparo ocorreu. Entretanto, testemunhas afirmaram que o banheiro estava seco quando as equipes chegaram ao apartamento.
Na entrevista, Neto contestou a versão e afirmou que deixou o chuveiro ligado.
Lesões no pescoço
Questionado sobre marcas encontradas no pescoço da vítima, o tenente-coronel negou ter provocado qualquer agressão. Ele sugeriu que as marcas poderiam ter sido causadas pela filha de Gisele, uma criança de sete anos, durante um momento em que estava no colo da mãe com as mãos em volta do pescoço.
Investigação como feminicídio
A Justiça de São Paulo determinou que o caso passe a ser investigado como feminicídio. Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como suicídio, mas a versão passou a ser contestada pela família da vítima e por novos elementos surgidos na investigação.
Com a mudança na tipificação, o marido da policial passou a ser formalmente investigado. O crime de feminicídio pode resultar em pena de 20 a 40 anos de prisão.
Exumação apontou possível esganadura
Um dos principais fatores que reforçaram as suspeitas foi o laudo necroscópico realizado após a exumação do corpo da vítima.
O exame apontou lesões no rosto e no pescoço de Gisele. Segundo os peritos, as marcas são compatíveis com pressão digital e escoriações semelhantes a arranhões de unha, o que levanta a hipótese de que a policial possa ter sido esganada ou pressionada no pescoço antes do disparo.
A exumação foi realizada em 6 de março no Instituto Médico Legal de São Paulo como parte das novas diligências do caso.
