Depoimentos inéditos revelados pelo Fantástico, neste domingo (28), expõem de que forma o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria pressionado empresários para que participassem de esquemas de lavagem de dinheiro. As narrativas mostram que os empresários eram coagidos mediante ameaças explícitas à própria integridade ou de seus familiares.
Um dos empresários, dono de um posto de gasolina, revelou que recebeu uma oferta de compra do estabelecimento, pois estava precisando de dinheiro.
“Ele começou a falar: ‘É, tem pai matando o filho por causa de dinheiro. Tem filho matando o pai por causa de dinheiro. Se mata muito fácil por causa de dinheiro’”, relatou. A negociação evoluiu inicialmente. Porém, em um momento, ele decidiu não continuar com o negócio, e passou a ser intimidado. “Ele começou a falar: ‘É, tem pai matando o filho por causa de dinheiro. Tem filho matando o pai por causa de dinheiro. Se mata muito fácil por causa de dinheiro’”, relatou.
Outro dono de posto relatou situação parecida. Ele vendeu o estabelecimento em 2018. “Você vai vender o posto por bem ou por mal”, teria ouvido de um dos criminosos.
Ele diz que teve sua assinatura falsificada para novos contratos e hoje ainda negocia com bancos para tentar quitar dívidas feitas pela quadrilha.
Durante depoimento, o empresário reconheceu os responsáveis pelo golpe: Alexandre Leal, que segundo ele, foi a pessoa que foi comprar o estabelecimento. Ele também citou Wilson Pereira Júnior, conhecido como Wilsinho.
Segundo o Ministério Público, Wilsinho comprava os postos em sociedade com o empresário Flávio Silvério Siqueira, apontado como um dos principais beneficiários do esquema.
Estrutura e ramificações
As investigações apontam que, em muitos casos, os bens (imóveis, empresas, motéis etc.) eram registrados em nome de terceiros — laranjas —, para dificultar o rastreamento. Algumas dessas propriedades eram usadas como fachada para justificar movimentações de capital sem levantar suspeitas. Um caso emblemático envolve uma rede de motéis sob nomes de terceiros, utilizada para lavar recursos vinculados ao PCC.
Além disso, o uso de fintechs emergiu como um elo-chave: empresas especializadas em serviços financeiros digitais teriam funcionado como “bancos paralelos” que facilitavam transferências e ocultavam fluxos de caixa entre empresas ligadas ao crime organizado. Esse modelo permitia movimentações de grande escala sem os controles típicos do sistema bancário tradicional.
