Uma das enfermeiras que participou do atendimento de emergência à jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, falou com exclusividade ao portal Bacci Notícias sobre os momentos de desespero vividos após osalto de rope jump que terminou em tragédia na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo.

Jovem em Rope jump (Foto: reprodução)
Jovem em Rope jump (Foto: reprodução)

Uma das enfermeiras que participou do atendimento de emergência à jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, falou com exclusividade ao portal Bacci Notícias sobre os momentos de desespero vividos após osalto de rope jump que terminou em tragédia na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo.

Mãe quebra o silêncio e fala sobre a morte da jovem morta em salto de rope jump: ‘Aquela maldita corda’ (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A profissional estava no local para participar da atividade e seria uma das próximas pessoas a saltar quando presenciou o acidente ocorrido no último sábado (13).

Segundo ela, Maria Eduarda aguardava a vez de realizar o rope jump após assistir ao salto de um amigo.

“Eu estava lá porque também iria saltar. Minha senha era a 42. Já tinham acontecido vários saltos antes e o amigo dela já havia pulado. Ela estava esperando ele voltar para gravar o próprio salto”, relatou.

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Corrida contra o tempo

A enfermeira contou que, inicialmente, não percebeu detalhes sobre o equipamento de segurança da vítima devido à adrenalina do momento.

“No momento eu não vi se ela estava presa à corda. Eu estava olhando apenas para ela, tentando observar a reação dela, porque eu iria pular daquela mesma forma”, disse.

Após ouvir os gritos de alerta, ela correu até a borda da ponte e percebeu que Maria Eduarda já estava caída no solo.

“Olhei para baixo e vi ela no chão. Ao mesmo tempo, vi o amigo dela completamente desesperado. Pedi que outras pessoas ficassem com ele e imediatamente solicitei autorização para descer porque sou enfermeira.”

Com a ajuda de um funcionário da equipe e de outra profissional da saúde que também estava no local, ela conseguiu acessar a área onde a jovem havia caído.

Tentativas de salvamento após salto de rope jump

Segundo a enfermeira, os primeiros minutos foram marcados pela busca por materiais de emergência e pelo acionamento do socorro.

“Pedi kit de primeiros socorros, cobertor, tudo o que pudesse ajudar. Também solicitei que alguém aguardasse na entrada para orientar a chegada do Samu, porque o acesso ao local é muito difícil.”

Ela afirmou queencontrou a jovem com a respiração acelerada e as pupilas dos olhos dilatadas, além de uma pulsação fraca. No entanto, após alguns minutos de avaliação, a enfermeira percebeu que a vítima já não apresentava sinais vitais apesar

“Quando verificamos que ela estava sem pulso, iniciamos imediatamente as manobras de reanimação. A massagem cardíaca ficou basicamente entre mim e a outra profissional de saúde que estava ali.”

A enfermeira destacou que permaneceu ao lado da vítima durante todo o atendimento até a chegada das autoridades.

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“Poderia ter sido eu”

Abalada, a profissional afirmou que ainda tenta processar tudo o que viveu naquele dia.

“Como profissional, vejo isso como uma fatalidade. Mas, como pessoa que estava ali para saltar, é desesperador pensar que poderia ter sido eu. Eu iria pular exatamente daquela maneira.”

Ela revelou que não conseguiu dormir após o acidente.

“Passei a noite inteira revivendo tudo o que aconteceu. A respiração dela, as conversas que tive com ela, os momentos em que fiquei ao lado dela. É algo muito perturbador.”

“Com certeza poderia ter sido evitado”

Para a enfermeira, a tragédia poderia ter sido evitada com a adoção rigorosa dos protocolos de segurança.

“Com toda certeza poderia ter sido evitada. Existe checklist, existe checagem da corda. Eu realmente não consigo entender como isso aconteceu.”

Ela ressaltou que, diante da experiência dos organizadores, a responsabilidade pela conferência dos equipamentos era deles.

“Na adrenalina, eu mesma não iria lembrar de verificar a corda. Eu já tinha visto vários saltos acontecendo normalmente. Todos estavam seguros. Eles trabalham com isso. Eles deveriam ter visto.”

Por fim, fez uma comparação com sua própria profissão.

“Na enfermagem, eu trabalho com vidas. Tenho a obrigação de conferir tudo e garantir a segurança dos meus pacientes. O mínimo de cuidado possível precisa existir quando se está lidando com a vida de alguém.”

Entenda o caso

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após participar de um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, no último sábado (13).

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que a jovem é lançada da estrutura. Segundo informações apuradas pela Polícia Militar, a principal linha de investigação aponta para uma falha no procedimento de segurança.

Testemunhas relataram que a corda responsável por proteger a participante não teria sido conectada corretamente antes do salto, o que pode ter provocado uma queda de aproximadamente 40 metros.

Após o acidente, equipes de resgate foram acionadas, mas a jovem não resistiu aos ferimentos.

Três homens responsáveis pela atividade tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.

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