Mulheres em Pernambuco foram surpreendidas ao identificarem um registro incomum em suas carteiras de trabalho digitais: o cargo de “presidente da República”. O caso ganhou repercussão nas redes sociais após relatos de trabalhadoras que perceberam a informação errada ao acessarem os dados profissionais no sistema. A situação gerou dúvidas, memes e questionamentos sobre uma possível falha no cadastro trabalhista.
Moradoras de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, descobriram um erro curioso em suas carteiras de trabalho digitais: elas aparecem registradas como “presidente da República” desde 2002. Até o momento, ao menos três mulheres identificaram a falha.

Claudia Silva, de 53 anos, foi registrada como presidente da República (Foto: Reprodução)
O caso começou a ganhar repercussão depois que a técnica de enfermagem Aldenize Ferreira, de 46 anos, percebeu a informação incorreta em seu cadastro profissional. A situação chamou atenção nas redes sociais e levantou questionamentos sobre possíveis inconsistências no sistema trabalhista.
Em nota, a prefeitura do município informou que o problema teria sido causado durante a migração de dados do antigo sistema de recolhimento do FGTS e informações previdenciárias para a plataforma digital do e-Social. Segundo a gestão municipal, a falha ocorreu no processo de atualização dos registros eletrônicos.
Outras mulheres descobrem registro
Além de Aldenize Ferreira, outras mulheres também descobriram um registro inusitado em suas carteiras de trabalho digitais, aparecendo como “presidente da República”. Todas tiveram vínculos profissionais com a Secretaria de Educação de Jaboatão dos Guararapes, embora ocupassem funções completamente diferentes.
Uma das trabalhadoras afetadas é Claudia da Silva, de 53 anos, formada no magistério e ex-professora da rede municipal. Ela contou que só percebeu a inconsistência ao tentar iniciar um novo emprego como cuidadora.
Durante o processo de contratação, a responsável pelo cadastro estranhou a informação exibida no sistema e questionou Claudia sobre o cargo registrado em seu histórico profissional.
Surpresa com a situação, Claudia afirmou que ficou sem entender como a função de chefe de Estado apareceu vinculada ao seu nome. O caso passou a chamar ainda mais atenção após outras mulheres relatarem o mesmo problema nos registros trabalhistas digitais.
Mulheres seguem sem conseguir corrigir erro
Mesmo diante do registro inusitado em sua carteira de trabalho, Claudia conseguiu ser contratada no novo emprego. Atualmente, porém, ela está desempregada e encara a situação com bom humor. A ex-educadora comentou que achou curioso aparecer oficialmente como “presidente da República”, enquanto enfrenta dificuldades financeiras no dia a dia.
Moradora do bairro Santo Aleixo, em Jaboatão dos Guararapes, Claudia revelou que nunca recebeu qualquer benefício ou valor relacionado ao cargo que apareceu em seu cadastro profissional. Segundo ela, a situação virou motivo de espanto e também de brincadeiras entre familiares e conhecidos.

Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva foi registrada como presidente da República (Foto: Reprodução)
Outro caso semelhante é o de Suelane Fonseca, de 49 anos, que descobriu há mais de quatro anos o mesmo vínculo incorreto em sua carteira digital. Até hoje, ela afirma não ter conseguido solucionar o problema, apesar das tentativas de buscar orientação para corrigir a informação.
Suelane contou ainda que teme possíveis impactos futuros causados pela falha no sistema, principalmente em questões relacionadas à aposentadoria e aos registros trabalhistas. O erro segue gerando preocupação entre as trabalhadoras afetadas e levantando dúvidas sobre a confiabilidade dos dados digitais.
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Erro na carteira digital intriga trabalhadora
Formada em pedagogia, Suelane Fonseca trabalha desde 2003 como auxiliar de serviços gerais em uma escola da rede municipal de Jaboatão dos Guararapes. No entanto, anos depois, ao acessar a carteira de trabalho digital, ela se deparou com uma situação inusitada, aparecia registrada como presidente da República.
Surpresa com a informação, Suelane buscou ajuda para tentar corrigir o cadastro. Ela procurou a prefeitura, a Secretaria de Educação e até pediu orientação a colegas de trabalho, mas afirma que ninguém conseguiu explicar a origem do erro. Sem solução, acabou desistindo de tentar regularizar o problema.

Suelane Fonseca, de 49 anos, foi registrada como presidente da República (Foto: Reprodução)
Assim como outras mulheres que relataram o mesmo caso, Suelane também teve vínculo com a Secretaria de Educação no começo dos anos 2000. Na época, ela trabalhou durante alguns meses ministrando aulas de artesanato na antiga Escola Nossa Senhora do Carmo, localizada no bairro de Cajueiro Seco, unidade que atualmente não existe mais.
Apesar de tratar a situação com bom humor, a pedagoga comentou que ficou espantada ao descobrir o registro inusitado. Entre brincadeiras, afirmou que o cargo de “presidente” nunca trouxe qualquer benefício financeiro e destacou que sua realidade está bem distante dos altos salários atribuídos ao chefe do Executivo federal.
Nota da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes explicou que a inconsistência surgiu durante o processo de migração de dados do antigo sistema SEFIP para a plataforma digital do e-Social. Segundo a administração municipal, a falha acabou alterando informações cadastrais de alguns servidores.
De acordo com o município, trabalhadores que antes apareciam vinculados a cargos comissionados genéricos passaram a ser registrados, de forma equivocada, como “presidente da República” na Carteira de Trabalho Digital. A prefeitura, no entanto, não informou quantas pessoas podem ter sido afetadas pelo problema.
A gestão também orientou que os servidores que identificarem o erro procurem o setor de Gestão de Pessoas da prefeitura para solicitar a correção dos dados e regularizar o cadastro profissional.
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