Lula tentará convencer Trump a não classificar PCC e CV como grupos terroristas durante encontro nos EUA. O governo brasileiro teme impactos na soberania e aposta na cooperação bilateral como alternativa para combater o crime organizado transnacional.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Redes Sociais.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Redes Sociais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve levar à mesa de negociações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um tema sensível para o Brasil: a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O encontro entre os dois líderes está marcado para esta quinta-feira (7), em Washington.

Trump e Lula voltarão a se reunir (Foto: The White House)

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A preocupação do governo brasileiro ganhou força após reportagens da imprensa internacional indicarem que os Estados Unidos avaliam incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de grupos terroristas estrangeiros. A proposta vem sendo discutida desde 2025, dentro de uma estratégia mais ampla da Casa Branca de endurecimento no combate ao narcotráfico.

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Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o presidente pretende convencer Trump a não avançar com a medida. A avaliação do Palácio do Planalto é de que classificar as facções como terroristas poderia abrir margem para ações mais duras por parte dos EUA, inclusive com implicações sobre a soberania brasileira.

A aposta do governo é reforçar a cooperação bilateral como alternativa. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, Brasil e Estados Unidos podem atuar conjuntamente no enfrentamento ao crime organizado transnacional, sem a necessidade de reclassificar juridicamente essas organizações.

Diferença de entendimento jurídico

Um dos principais entraves no debate é a diferença de interpretação entre os dois países. No Brasil, a legislação estabelece critérios específicos para caracterizar o terrorismo, ligados a motivações ideológicas, políticas ou religiosas. Nesse contexto, facções como PCC e CV são tratadas como organizações criminosas, voltadas ao lucro por meio de atividades ilegais.

Já nos Estados Unidos, a análise pode considerar o impacto dessas organizações fora do território brasileiro. Autoridades americanas apontam que membros do PCC já atuam em estados como Flórida, Nova York e Massachusetts, o que reforça a preocupação com a expansão internacional do grupo.

Além disso, o PCC é considerado o maior grupo criminoso das Américas, com presença em cerca de 30 países e dezenas de milhares de integrantes, o que pode pesar na avaliação das autoridades americanas.

Critérios para classificação

Para que uma organização seja oficialmente considerada terrorista nos Estados Unidos, três critérios precisam ser atendidos: ser estrangeira, estar envolvida em atividades terroristas (ou ter capacidade e intenção de realizá-las) e representar ameaça à segurança nacional ou aos cidadãos americanos.

A decisão cabe ao secretário de Estado, com base em relatórios que reúnem informações de inteligência e fontes abertas. Após isso, o Congresso americano tem prazo para analisar a medida antes de sua oficialização.

Caso a classificação seja confirmada, as consequências podem ser amplas: desde o bloqueio de ativos financeiros até a criminalização de qualquer tipo de apoio às organizações, além de restrições migratórias a integrantes.

Estratégia brasileira

Diante desse cenário, o governo Lula tenta evitar um desgaste maior na relação bilateral. A estratégia é mostrar que o Brasil já trata o combate ao crime organizado como prioridade e que há espaço para ampliar a cooperação sem mudanças na classificação legal das facções.

A reunião entre Lula e Trump deve, portanto, servir como um teste importante para medir o nível de alinhamento entre os dois países em temas de segurança e política internacional.

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