Um hábito comum para aliviar a tensão do dia a dia acabou se transformando em um grave problema de saúde para a americana KayLynne Felthager (32). A atriz relatou ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) após realizar um movimento rotineiro de estalar o pescoço. O caso levantou dúvidas sobre os riscos desse costume e reacendeu o debate sobre o assunto.

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Um hábito comum para aliviar a tensão do dia a dia acabou se transformando em um grave problema de saúde para a americana KayLynne Felthager (32). A atriz relatou ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) após realizar um movimento rotineiro de estalar o pescoço. O caso levantou dúvidas sobre os riscos desse costume e reacendeu o debate sobre o assunto.

Segundo relatos, KayLynne costumava estalar o pescoço com frequência para aliviar desconfortos musculares. Em uma dessas ocasiões, o gesto aparentemente inofensivo desencadeou uma sequência de sintomas que culminaram em um diagnóstico grave.

A atriz KayLynne Felthager (32). (Reprodução)

O que aconteceu com a atriz

KayLynne dirigia de volta para casa após sair de um supermercado, nos Estados Unidos, quando sentiu uma leve dor de cabeça. Para aliviar o incômodo, inclinou a cabeça para o lado direito até ouvir um estalo no lado esquerdo do pescoço, movimento que trouxe alívio imediato.

Pouco tempo depois, no entanto, ela passou a sentir uma dor intensa e persistente. Nos dias seguintes, o quadro evoluiu para perda temporária da visão e dificuldade para falar. Diante dos sintomas, a atriz procurou atendimento médico.

No hospital, exames identificaram uma dissecção arterial, condição caracterizada por uma ruptura na parede da artéria. A lesão favoreceu a formação de um coágulo, que se deslocou até o cérebro e provocou o AVC.

Hipertensão segue como principal causa de AVC

A neurologista drª. Fernanda Maia, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), explica que o AVC pode ter diferentes origens e que o fator mais comum segue sendo a hipertensão arterial.

“O acidente vascular cerebral tem dois tipos. O AVC isquêmico, que corresponde a cerca de 80% dos casos, e o AVC hemorrágico, responsável por aproximadamente 20%. A principal causa para ambos é a hipertensão”, afirmou.

Segundo a especialista, outros fatores também aumentam significativamente o risco, sobretudo no AVC isquêmico. Entre eles estão diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo e colesterol elevado.

A médica acrescenta que doenças cardíacas também merecem atenção. Problemas nas válvulas do coração, arritmias, aumento do tamanho do órgão, histórico de infarto e alterações na coagulação do sangue estão entre as condições que podem favorecer a ocorrência de um AVC.

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Estalar o pescoço realmente pode causar AVC?

O BacciNotícias também ouviu o neurologista dr. Diego Bandeira, do Centro Neurovascular, que analisou o caso e explicou em quais situações o movimento pode representar perigo.

De acordo com o especialista, movimentos bruscos ou manipulações inadequadas da região cervical podem, em casos raros, provocar dissecção de artérias do pescoço.

“Essa lesão na parede da artéria pode levar à formação de coágulos e, consequentemente, a um AVC. Não significa que toda vez que alguém estala o pescoço terá um AVC, mas existe risco, principalmente quando o movimento é repetitivo, forçado ou realizado por pessoas não qualificadas”, explicou.

Ele alerta ainda para exercícios físicos executados de forma incorreta ou manobras agressivas na região cervical, que podem aumentar o risco, sobretudo em pessoas predispostas. Por isso, o hábito de estalar o pescoço não é recomendado.

Como prevenir o AVC

Segundo o dr. Diego Bandeira, a prevenção do AVC passa principalmente pelo controle rigoroso dos fatores de risco. Manter a pressão arterial controlada, cuidar da diabetes e do colesterol, abandonar o tabagismo, praticar atividade física regularmente e manter uma alimentação equilibrada são medidas fundamentais.

O acompanhamento médico periódico também é essencial, especialmente a partir dos 40 anos. A prevenção, segundo ele, é altamente eficaz quando iniciada precocemente.

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Atenção aos sinais de alerta

Os sintomas de AVC costumam surgir de forma súbita. Entre os principais estão fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender a fala, desvio da boca, perda repentina da visão, tontura intensa, desequilíbrio e dor de cabeça forte e incomum.

Uma forma simples de identificação é a regra conhecida como SAMU ou FAST, que observa sorriso torto, alteração na fala, dificuldade para movimentar um dos braços e urgência em buscar atendimento.

Diante de qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar ajuda médica imediatamente. No AVC, o tempo é decisivo para reduzir sequelas e salvar vidas.

AVC também atinge adultos jovens

Embora seja mais comum em pessoas acima dos 60 anos, o AVC não é uma doença exclusiva dos idosos. Médicos têm observado um aumento preocupante de casos em adultos jovens, muitas vezes associados ao sedentarismo, obesidade, tabagismo, uso de drogas, estresse e falta de controle dos fatores de risco.

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