Assim que a polícia carioca prendeu preventivamente o policial penal, que atirou em um entregador no último sábado, 30, porque a vítima teria dito que não poderia subir até o apartamento, a repórter Patrícia Calderón conversou com Valério Souza Júnior por telefone. Ele contou que ainda não se sente aliviado, justamente porque os dois moram no mesmo conjunto habitacional no Rio de Janeiro. Embora nunca tenham se encontrado pelo local, o motoboy teme pela vida dele e da família.
“Ainda estou com medo de morrer. No momento, estou somente aliviado. A segurança não é cem por cento. Eu posso ir na padaria e ele ser solto. Só vou ficar feliz por completo quando tiver a certeza que ele será condenado pelo crime que cometeu”
Assim que a polícia carioca prendeu preventivamente o policial penal, que atirou em um entregador no último sábado, 30, porque a vítima teria dito que não poderia subir até o apartamento, a repórter Patrícia Calderón conversou com Valério Souza Júnior por telefone. Ele contou que ainda não se sente aliviado, justamente porque os dois moram no mesmo conjunto habitacional no Rio de Janeiro. Embora nunca tenham se encontrado pelo local, o motoboy teme pela vida dele e da família.
“Ele fugiu quando eu disse que morava no mesmo conjunto habitacional que ele. Aí ele meteu o pé. Eu fui entregar o pedido no conjunto habitacional que eu mesmo moro, eu mesmo digo no vídeo que sou morador, mas nunca tinha visto este cara por lá, moro aqui há 30 anos e nunca o vi por lá”.
O caso ganhou repercussão após a entregador ter colocado nas redes sociais, imagens do momento em que ele levou um tiro no pé. Nas imagens é possível ver o momento em que o policial saca uma arma e atira contra a vítima, que não estava armado e, segundo testemunhas, tentava encerrar uma discussão.
“A minha ficha não tinha caido ainda sobre o tiro. Pensei em estancar o sangramento e passou um filme pela minha cabeaça. Pensei na minha esposa, meu filho, minha mãe, meu irmão, na minha moto, eu tinha certeza que dali eu não iria passar. A minha sorte é que os bombeiros chegaram muito rápido. A bala está alojada no meu pé. O médico disse que se a gente tirar essa bala pode dar ruim. Tem o estilhaço também, que está na junta do pé, que impede que eu faça movimentos com o pé”.
A Secretaria de Administração Penitenciária confirmou o afastamento do agente por um período de 90 dias. Segundo a nota oficial enviada à imprensa, a medida é preventiva e visa garantir a apuração dos fatos com isenção. Ainda de acordo com a Seap, o policial não exercerá nenhuma função durante esse período e está à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.
A decisão judicial considerou a gravidade do crime e o risco de que o agente atrapalhasse as investigações em liberdade.
“O mandado foi expedido neste domingo, menos de 24 horas após o ataque, para nossa defesa mostra o quão grave é a situação”, conta Thaís Loureiro, advogada do entregador.
Informações obtidas por fontes ligadas à investigação apontam que o policial penal já responde a outros processos, incluindo registros por violência doméstica e receptação. Esses antecedentes devem ser levados em consideração pelo Ministério Público no momento da formulação da denúncia. O agente foi identificado como José Rodrigo da Silva Ferrarini. Tentamos ouvir a defesa do suspeito, o espaço segue aberto.
