Um artista conhecido nacionalmente concedeu entrevista exclusiva ao BacciNotícias, sob condição de anonimato, para falar sobre sua participação no movimento Pup Play. O profissional detalhou como o estado de “Headspace” auxilia no controle da ansiedade e como o uso de máscaras permite um escape das cobranças da fama. O relato expõe a necessidade de proteger a identidade diante do preconceito social contra práticas de fetiche e identidade animal.
O portal BacciNotícias conversou com uma figura pública conhecida nacionalmente, sobre sua relação com o movimento PuppyPlay. Por se tratar de uma figura pública que preza pela separação entre sua vida pública e sua vida privada, o portal optou por preservar sua identidade, garantindo um espaço seguro para que ele pudesse explicar a importância dessa prática em sua saúde.
O gatilho de liberdade
Questionado sobre o significado da prática para quem nunca ouviu falar, o artista explica que o PuppyPlay (ou Pet Play) é uma combinação de práticas onde adultos, de forma consensual, assumem o papel de um filhote. Para ele, o conceito de fetiche vai além do senso comum:
“É importante explicar que a palavra fetiche vem de ‘feitiço’, algo que encanta a realidade comum. Para mim, o Pup Play representa um espaço de liberdade absoluta. O uso da máscara funciona como um gatilho psicológico que silencia o julgamento humano e permite conectar com instintos de lealdade, alegria e entrega ao momento presente, deixando de lado as pressões sociais do dia a dia”, afirma.

Famoso que se identifica como cachorro detalha sua vivência no PuppyPlay || Reprodução: Fotos cedidas ao BacciNotícias
O “botão de pausa” para a ansiedade
A transição de uma simples curiosidade para algo pessoal ocorreu quando o artista percebeu os benefícios terapêuticos da prática. Ele relata que o envolvimento emocional surgiu ao notar que o papel de pup funcionava como um “botão de pausa” para sua ansiedade.
“No início, você entra pela estética, as máscaras e os acessórios, mas o que me prendeu foi o alívio mental. Foi em um período de muito estresse que entendi que entrar nesse papel não era apenas uma brincadeira, mas uma ferramenta de bem-estar. Ali, deixou de ser curiosidade e se tornou um pilar de autoconhecimento e pertencimento”, detalha.
O afeto e cuidado
Sobre a frequente associação do movimento apenas ao lado sexual, o entrevistado esclarece que a base da vivência é o cuidado e a vulnerabilidade segura. Segundo ele, a dinâmica exige uma confiança extrema com o Handler (quem conduz a sessão), funcionando como um escape necessário de rotinas muitas vezes tóxicas.
“É sobre criar uma rede de apoio onde você pode ser cuidado, permitindo-se ser ‘pequeno’ e lúdico em um mundo que nos exige ser fortes e produtivos o tempo todo”, pontua o artista, reforçando o aspecto de rede de apoio emocional.
O estado de “Headspace” e o cotidiano
A mudança psicológica quando se está no papel de pup é descrita como Headspace, um estado mental onde as preocupações racionais dão lugar ao foco sensorial. Essa vivência traz reflexos positivos mesmo fora das sessões:
“Sinto uma leveza absoluta. Curiosamente, entender-se como fetichista e vivenciar isso é libertador e me faz crescer na vida social. Ao aceitar meus desejos, eu paro de gastar energia me escondendo e passo a me impor de maneira muito mais certeira e confiante no meu cotidiano fora da cena”, explica.
O peso do julgamento
Apesar dos benefícios, o artista confessa que o preconceito e a desinformação ainda o obrigam a silenciar sua identidade em certos ambientes. Como Mr. Pup Brasil, ele vê como missão humanizar a prática, mas reconhece que o medo de retaliações em ambientes conservadores ainda é uma realidade:
“O preconceito nasce da falta de informação e da tendência da sociedade de sexualizar tudo o que é diferente. Já houve momentos em que precisei me silenciar para evitar retaliações. O medo do julgamento ainda é uma sombra que faz com que muitos de nós vivam em ‘caixas’ separadas para evitar ataques à nossa vida pessoal e profissional”, diz ele.
Confira o relato exclusivo de um artista nacional ao BacciNotícias sobre o movimento Pup Play
Respeito e segurança
Finalizando, o entrevistado destaca que o anonimato serve como uma armadura necessária enquanto o mundo ainda punir quem foge dos padrões culturais. Para ele, o caminho para que as pessoas se sintam seguras é a educação e o respeito ao consentimento entre adultos.
“Para nos sentirmos seguros, é necessário que a sociedade compreenda que o Pup Play é uma prática inofensiva que promove a não-violência e a saúde emocional. Quando a autenticidade for respeitada, as máscaras serão usadas apenas por prazer, e não por necessidade de proteção”, conclui.

