Destinos conhecidos pelas belas paisagens e pelo turismo crescente passaram a enfrentar um novo desafio: a presença cada vez mais forte de facções criminosas. Em diversas regiões do país, principalmente no litoral nordestino, grupos ligados ao crime organizado têm encontrado nessas cidades oportunidades para expandir atividades ilegais e fortalecer seus negócios.
Destinos turísticos conhecidos pelas belas paisagens passaram a enfrentar um novo desafio: o avanço de facções criminosas. Em várias regiões do país, especialmente no litoral do Nordeste, grupos ligados ao crime organizado têm encontrado nessas cidades oportunidades para expandir atividades ilegais.
Antes mais concentradas nas grandes capitais, essas organizações também passaram a atuar em destinos turísticos como Pipa, Porto de Galinhas, Trancoso, Fortaleza e Paraty. O grande fluxo de visitantes e a circulação de dinheiro tornam esses locais atrativos para atividades criminosas.
Além do tráfico de drogas, as facções também se envolvem em lavagem de dinheiro, fraudes na venda de hospedagens e cobrança de taxas de comerciantes, criando uma economia paralela que passa a fazer parte da rotina dessas cidades.
Outro fator que contribui para esse avanço é a presença limitada do Estado em determinadas regiões. Em alguns casos, os grupos criminosos chegam a impor regras locais ou intermediar conflitos entre moradores.
Para o especialista em segurança pública Bruno Paes Manso, o crescimento da presença dessas organizações em cidades turísticas está ligado às oportunidades econômicas que esses destinos oferecem. “Esses locais movimentam muito dinheiro e recebem pessoas de várias regiões. Para o crime organizado, isso cria oportunidades de ampliar negócios ilegais sem chamar tanta atenção”, afirma.
Muitas vezes, os turistas não percebem essa realidade. Em vários destinos, as próprias facções evitam confrontos em áreas frequentadas por visitantes para não prejudicar a imagem turística e manter a circulação de dinheiro.
Para moradores e comerciantes, no entanto, os efeitos são mais claros. Há relatos de intimidação, cobrança de taxas e imposição de regras, além do risco de jovens serem atraídos pelo crime.
Entre os grupos que disputam espaço no país estão o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, organizações que hoje têm presença em praticamente todo o território nacional.