A Flotilha Global Sumud divulgou imagens da Marinha de Israel “assaltando” seus barcos, com 16 navios interceptados, mas ativistas garantem que 23 continuam rumo a Gaza. O grupo desafia o bloqueio, declarando que está a 46 milhas náuticas do destino final: “Seguimos navegando“.
A Marinha de Israel realizou a interceptação de embarcações que compõem a Flotilha Global Sumud na última quarta-feira(1), um grupo de ativistas que navegava em direção à Faixa de Gaza com o objetivo declarado de entregar ajuda humanitária.
O Ministério das Relações Exteriores israelense divulgou imagens de um dos barcos parados, onde a ativista Greta Thunberg é vista recebendo hidratação. O incidente ganhou destaque diplomático imediato no Brasil, uma vez que o Palácio do Itamaraty confirmou a presença de cidadãos brasileiros no grupo.
Detalhes da Operação Naval
O grupo, denominado Global Sumud, é composto por aproximadamente 500 pessoas distribuídas em pelo menos 44 barcos civis. Enquanto os organizadores insistem que a missão é estritamente humanitária, transportando suprimentos essenciais para Gaza, o Ministério das Relações Exteriores de Israel alega vínculo ao grupo Hamas.
A autoridade israelense confirmou a detenção de vários barcos, assegurando que os passageiros estavam sendo levados em segurança para um porto em Israel. O governo não detalhou a quantidade exata de embarcações que foram efetivamente interceptadas pela Marinha.
Posicionamento dos ativistas
Em resposta à ação militar, a organização Global Sumud confirmou a interceptação de dois barcos, classificando o ocorrido como um “ataque israelense” e uma “ação ilegal“.
O grupo ativista denunciou que os equipamentos de monitoramento e câmeras das embarcações foram desligados durante a abordagem. Mesmo diante da intervenção e dos pedidos formais de Israel para que a viagem fosse interrompida, os ativistas declararam que o restante da flotilha manteria seu curso rumo a Gaza.
Alertas à flotilha
O governo israelense divulgou que a Marinha emitiu alertas à flotilha sobre a aproximação de uma zona de combate ativa, solicitando a alteração da rota.
Segundo a declaração, foi oferecida ao grupo, em mais de uma ocasião, a alternativa de transferir a ajuda humanitária por meio de canais considerados seguros até o território de Gaza.
Histórico da Missão
A flotilha Global Sumud iniciou sua jornada em 31 de agosto, partindo da cidade de Barcelona, com a previsão inicial de atracar em Gaza nesta quinta-feira(2).
Nas semanas que antecederam a interceptação, países europeus demonstraram preocupação com o destino do grupo. Itália e Espanha mobilizaram navios de guerra para possíveis resgates ou apoio humanitário, embora tenham interrompido o acompanhamento quando a flotilha estava a menos de 300 quilômetros da costa de Gaza.
Itália e Grécia emitiram um comunicado conjunto a Israel, solicitando que as Forças Armadas evitassem ataques aos ativistas. Paralelamente, os dois países instaram os participantes da flotilha a entregar todos os suprimentos à Igreja Católica, que se responsabilizaria por encaminhar os itens à Faixa de Gaza, uma proposta que já havia sido rejeitada pelos ativistas.
Este não é o primeiro incidente envolvendo Greta Thunberg e as Forças Navais israelenses. Em junho, a ativista e outros onze tripulantes foram detidos pela Marinha de Israel ao se aproximarem de Gaza em uma embarcação da chamada Flotilha da Liberdade.
Leia também no BacciNoticas:
