O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), publicou nas redes sociais imagens de supostos “vistos catarinenses” e um “Passaporte Catarina”, em tom irônico, após apoiar a política da Prefeitura de Florianópolis de devolver pessoas sem moradia ou emprego às cidades de origem. A atitude gerou críticas e elogios nas redes. O caso é investigado pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública, que consideram a medida discriminatória e lembram que a Constituição garante o direito de ir e vir. A prefeitura nega irregularidades e afirma que as devoluções são feitas com o apoio da Assistência Social e contato com familiares.

Governador que já sugeriu separar o Sul do Brasil cria 'passaporte' e 'vistos' para SC
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O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), voltou a causar polêmica nas redes sociais ao publicar, neste domingo (9), imagens de supostos “vistos catarinenses” e de um “Passaporte Catarina”. A ação, feita em tom irônico, ocorreu após a repercussão da política de devolução de pessoas sem emprego ou moradia adotada pela Prefeitura de Florianópolis.

Nas fotos divulgadas, aparecem nomes como “Ana”, “Maria” e “Luiz”, simulando documentos de entrada no estado. A postagem, que teve milhares de comentários, dividiu opiniões. “Onde eu tiro o meu, governador? Sensacional”, escreveu uma seguidora. Já outro internauta criticou: “Enfim, aqui tudo é piada mesmo… estão rindo na nossa cara!”.

No sábado (8), Jorginho já havia publicado um vídeo declarando apoio total ao prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), pelas medidas de encaminhar de volta às cidades de origem pessoas que chegam à capital sem moradia ou perspectiva de trabalho. “Onde está o erro nisso? Topázio, concordo 100%”, afirmou o governador.

Em outro momento, o político, que no passado chegou a sugerir a separação da região Sul do restante do Brasil, chegou a dizer, em tom de brincadeira, que consultaria a Procuradoria do Estado para verificar a possibilidade de pedir “visto” para entrada em Santa Catarina.

A publicação repercutiu em meio às investigações abertas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e pela Defensoria Pública Estadual, que apuram a conduta da Prefeitura da capital.

Segundo a Defensoria, o procedimento busca avaliar “o discurso e a forma de abordagem adotadas”, que, segundo o órgão, “podem passar a ideia de que determinadas pessoas não são bem-vindas na cidade”. O órgão destacou ainda que a Constituição Federal garante o direito de circulação em todo o território nacional, e que não existe “qualquer tipo de controle de fronteira entre municípios”.

A Prefeitura de Florianópolis, por sua vez, nega qualquer ilegalidade. Em nota, a administração municipal informou que mantém um serviço de Assistência Social na rodoviária, responsável por orientar e acolher pessoas que chegam à cidade.

O prefeito Topázio Neto também se manifestou nas redes sociais, dizendo que a intenção é evitar que a capital se torne “depósito de pessoas em situação de rua”. Segundo ele, os retornos são feitos com o consentimento e contato prévio com familiares.

“Se alguma cidade mandar para cá, nós vamos impedir, sim. Se a pessoa chega sem saber onde vai dormir, é óbvio que foi despachada de algum lugar”, disse o prefeito.

A polêmica reacendeu o debate sobre políticas públicas para pessoas em situação de rua e o uso político do tema em meio a discursos de exclusão e ironia nas redes sociais.

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