Um influenciador precisou de atendimento médico após passar mal ao utilizar uma versão irregular de uma “caneta emagrecedora” durante uma ação publicitária nas redes sociais. Sem indicação médica, ele aplicou uma dose elevada do produto e, poucas horas depois, apresentou sintomas graves, como hipoglicemia, dores intensas, náuseas e alterações nos batimentos cardíacos.
O influenciador e educador físico, Fábio Tavares, de 27 anos, foi atendido em um pronto-socorro na última quinta-feira (2) após apresentar complicações de saúde ao utilizar um medicamento conhecido popularmente como “Mounjaro do Paraguai”. A substância teria sido aplicada como parte de uma ação publicitária divulgada em suas redes sociais.

Versão de tirzepatida sem regulamentação (Foto: Polícia Federal)
Segundo informações, o jovem não possui diagnóstico de obesidade nem recomendação médica para o uso do produto, que é considerado irregular e não tem comercialização autorizada no Brasil. Pouco tempo após a aplicação, ele apresentou um quadro de hipoglicemia, caracterizado pela queda acentuada dos níveis de açúcar no sangue.
Desde então, o influenciador relatou sintomas persistentes, como náuseas intensas e dores fortes na região abdominal e nas costas.
“Fui para o hospital tomar soro na veia e só fui dispensado [de uma internação] por falta de leitos, mas voltei nos dois dias seguintes para tomar glicose e morfina e um analgésico potente”, disse para a Veja Saúde.
Quadro grave após uso da substância
No mesmo dia em que utilizou a substância, o influenciador precisou buscar atendimento médico após apresentar um quadro clínico preocupante. Entre os sintomas relatados estavam dores intensas, episódios de vômito, elevação significativa da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos mesmo em repouso e níveis reduzidos de glicose no sangue, sinais compatíveis com condições como hipertensão, taquicardia e hipoglicemia.
O produto aplicado faz parte do grupo conhecido como “canetas para emagrecimento”. A versão utilizada, segundo apuração, teria origem em uma farmacêutica paraguaia que afirma produzir uma alternativa à tirzepatida, princípio ativo presente no medicamento original indicado para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2.
A fabricação dessa substância é, em grande parte do mundo, controlada pela empresa responsável por sua criação, a Eli Lilly. No entanto, no Paraguai, lacunas na legislação permitem a produção de versões similares, o que abre espaço para a circulação de produtos sem o mesmo rigor regulatório.
Produto é proibido no Brasil
No Brasil, esse tipo de medicamento não tem autorização para comercialização e vem sendo alvo de ações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que realiza apreensões frequentes. Especialistas alertam que não há garantias quanto à segurança dessas versões, já que os processos de produção são desconhecidos e não seguem, necessariamente, os padrões exigidos por órgãos reguladores internacionais.
Além disso, a entrada desses produtos no país costuma ocorrer de forma irregular, sem controle adequado de transporte, armazenamento ou certificação, o que aumenta ainda mais os riscos à saúde de quem faz uso dessas substâncias.
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Proposta por meio de agência de marketing
O influenciador teve contato com a substância após ser procurado por uma agência de marketing de influência que afirmava representar a marca estrangeira. A empresa já havia intermediado outras parcerias com ele anteriormente, o que contribuiu para a aceitação da proposta.
O acordo previa o envio do produto para uso pessoal, seguido da publicação de um relato nas redes sociais, incluindo um link direcionando os seguidores para a compra. Como contrapartida, além de receber a própria caneta, o jovem ganharia um pagamento de R$ 500.
De acordo com o relato do influenciador, em nenhum momento foi informado de que o item não possuía autorização para comercialização no Brasil. Ele afirma que só tomou conhecimento da irregularidade após já ter utilizado a substância.
Conversas trocadas por aplicativo de mensagens, posteriormente apresentadas à imprensa, indicam que a equipe responsável pela campanha destacava que o produto era autorizado no Paraguai e produzido por uma empresa tradicional, tentando transmitir credibilidade.
Ainda segundo os diálogos, mesmo sem liberação no mercado brasileiro, a estratégia da marca incluía a divulgação por meio de criadores de conteúdo no país, com o objetivo de fortalecer sua presença entre o público local.
Após o ocorrido, o influenciador criticou a postura de quem promove esse tipo de ação:
“São pessoas que estão agenciando influenciadores no Brasil para fazer essas coisas e não estão ligando muito para a legalidade do processo”, concluiu Fábio. Mas essa avaliação veio tarde. Ele conta que só descobriu que o que estava recebendo era proibido no Brasil depois. “Só que aí eu já tinha tomado”, lamenta.
Dose utilizada era seis vezes maior
O influenciador recebeu em casa uma versão da substância com dosagem de 15 miligramas, considerada a mais alta disponível e muito acima do nível inicial recomendado para esse tipo de medicamento. No caso do produto original, a orientação médica prevê o início com doses bem menores, com aumento gradual ao longo das semanas até atingir o nível adequado para cada paciente.
A aplicação foi realizada na madrugada do dia 2 e, poucas horas depois, começaram a surgir os primeiros sinais de reação adversa. Entre os sintomas, estavam dores intensas e mal-estar significativo, o que levou à busca por atendimento médico.
Empresa negou assistência
Inicialmente, houve suspeita de um quadro mais grave, como pancreatite, hipótese que acabou sendo descartada. Até o momento, a avaliação dos profissionais de saúde aponta para um episódio severo de hipoglicemia, que também pode ter desencadeado as fortes cólicas relatadas.
Ao entrar em contato com a agência responsável pela campanha para relatar o ocorrido, o influenciador afirma que recebeu uma resposta limitada, com a informação de que o contrato seria encerrado.
Em mensagens trocadas, representantes da equipe ainda minimizaram a possibilidade de relação entre o produto e complicações mais graves, sustentando que a substância não estaria associada a determinadas condições clínicas.
Além da entrega irregular do produto o influencer está sendo alvo de ataque nas redes sociais. Qualquer medicamento deve consultar o médico.
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