A decisão que autorizou a prisão do tenente-coronel Neto aponta que a PM Gisele manteve o relacionamento sob pressão. Segundo depoimentos, ela teria se sentido constrangida a continuar a relação após insistência do oficial. Testemunhas também relataram comportamento controlador e presença frequente dele no trabalho da vítima.
A decisão que autorizou a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto traz novos detalhes sobre o relacionamento entre o oficial e a policial militar Gisele Alves Santana.
De acordo com o documento, testemunhas relataram que a vítima teria se sentido pressionada a manter o relacionamento com o investigado. O trecho é baseado no depoimento de colegas de trabalho e de uma superior da policial.
“Segundo relatado pela 1º Sgt PM Damiana, a própria Sd PM Gisele chegou a afirmar que iniciou o relacionamento com o Oficial inclusive por insistência dele, relatando que em determinado momento teria se sentido pressionada a manter o relacionamento”, diz a decisão.
Ainda conforme o documento, o comportamento do tenente-coronel era recorrente e causava desconforto no ambiente profissional da vítima.
Detalhes sobre pressão sofrida pela PM Gisele
Testemunhas afirmaram que o oficial frequentemente comparecia ao local de trabalho da PM Gisele, mesmo sem possuir atribuição funcional no setor. Ele utilizaria sua posição hierárquica para circular livremente pelo espaço e permanecer por longos períodos.
“Permanecendo por vezes longos períodos no interior da seção, inclusive sentado próximo à Sd PM Gisele observando suas atividades, circunstância que causava desconforto entre os integrantes da equipe”, aponta outro trecho.
Os relatos também indicam que o tenente-coronel teria protagonizado situações constrangedoras dentro do ambiente de trabalho, incluindo discussões internas.
Além disso, segundo as testemunhas, mesmo quando a policial demonstrava intenção de se afastar ou ter mais autonomia, o oficial continuava presente de forma insistente.
“Mesmo em momentos em que a Sd PM Gisele demonstrava intenção de manter maior autonomia ou distância do Oficial, este continuava comparecendo com frequência ao ambiente de trabalho da policial, chegando inclusive a acompanhar seus horários”, destaca a decisão.
Os elementos reforçaram o entendimento da Justiça Militar de que havia indícios de um relacionamento marcado por controle e possível pressão psicológica, o que contribuiu para a autorização da prisão.
O tenente-coronel foi preso nesta quarta-feira (18) e é investigado por feminicídio e fraude processual. O caso segue sob investigação.
