Um iraniano baleado durante a repressão aos protestos antigovernamentais no Irã teria sobrevivido ao se fingir de morto por três dias em um necrotério na região de Teerã. O caso foi divulgado por uma entidade de direitos humanos, que afirma que o homem temia ser executado pelas forças do regime caso fosse descoberto com vida. Ele foi encontrado pela família e levado a um hospital.

Iraniano ferido se finge de morto por três dias para escapar de execução

Um iraniano ferido a tiros durante a repressão aos recentes protestos no Irã teria sobrevivido ao permanecer imóvel, fingindo-se de morto, por cerca de três dias em um centro de medicina legal da cidade de Kahrizak, na Grande Teerã. O relato foi divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Centro de Documentação de Direitos Humanos do Irã (IHRDC).

Segundo a entidade, o homem temia que, ao ser identificado com vida, fosse executado com um “tiro de misericórdia” por agentes ligados ao regime teocrático liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. Ele teria sido ferido durante a onda de repressão violenta que se seguiu às manifestações populares nas últimas semanas.

De acordo com o relato, o sobrevivente permaneceu deitado entre cadáveres, coberto por um lençol plástico, sem receber água ou comida durante todo o período. Enquanto isso, sua família passou três dias à procura dele, visitando hospitais e o cemitério de Behesht Zahra, até encontrá-lo no centro forense de Kahrizak, onde imagens de vítimas mortas haviam circulado nas redes sociais.

Após ser localizado, o homem foi transferido para um hospital e recebeu atendimento médico. Sua identidade não foi divulgada. O IHRDC afirmou que investiga o caso, mas destacou que as restrições e bloqueios de internet impostos pelo governo iraniano dificultam a verificação independente das informações. O episódio também foi citado pelo jornal Jerusalem Post.

Corpos do lado de fora do necrotério de Kahrizak, na Grande Teerã — Foto: Reprodução

Corpos do lado de fora do necrotério de Kahrizak, na Grande Teerã — Foto: Reprodução

Corpos do lado de fora do necrotério de Kahrizak, na Grande Teerã — Foto: Reprodução

A BBC informou ter recebido centenas de imagens de corpos no centro forense de Kahrizak, identificando ao menos 326 vítimas, incluindo adolescentes e idosos. Muitas estavam desfiguradas e dezenas foram registradas apenas como “Fulano” ou “Fulana”, em persa.

Organizações de direitos humanos apontam que a repressão já deixou milhares de mortos. O grupo HRANA, com sede nos Estados Unidos, contabiliza ao menos 4.519 mortes e mais de 9 mil pessoas sob investigação.

Apesar da violência, autoridades iranianas anunciaram recentemente promessas de “clemência” a manifestantes que se entregarem, além da retomada gradual do acesso à internet após quase duas semanas de bloqueio, anúncios vistos com ceticismo por defensores de direitos humanos.

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